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DICA DE LIVRO

Os cinco livros que marcaram a ilustração de Odilon Moraes

O premiado escritor e ilustrador dá dicas de livros que o ajudaram a encontrar seu caminho


29/01/2014 19:05
Texto Marion Frank
Educar
Foto: Nino Andrés
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"Fui me apaixonando por livros, o objeto em si", diz Odilon Moraes, com mais de 80 livros ilustrados.

Se o tema for literatura infanto-juvenil brasileira, Odilon Moraes é citado de imediato. Pudera. Tem mais de 80 livros ilustrados. E, desde 2002, aventurou-se não apenas a desenhar como também a colocar palavras na história que tem para contar. Resultado? "A Princesinha Medrosa", pela editora Cosac Naify, ganhou os prêmios de melhor livro e melhor ilustração da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil daquele ano.

Em 2006, voltou a ganhar o mesmo prêmio com "Pedro e Lua" e, em 2010, lançou o livro-imagem "O Presente", que dispensa o uso da escrita. A rigor, esse paulistano de 45 anos, fala mansa e jeito de caipira, arquiteto formado pela FAU-USP que jamais praticou a profissão, sempre viveu entre tintas: o pai, juiz de direito, era pintor amador "… e eu, que conversava pouco, falava muito com ele pelo desenho", lembra. O mundo deu muitas voltas até conduzir Odilon para o primeiro contato com uma editora paulistana e o primeiro trabalho: ilustrar um livro de poesia de Carlos Queiroz Telles. Foi em 1989, o início de uma narrativa amorosa: "Fui me apaixonando por livros, o objeto em si". E ele, que sempre teve prazer em ler, de mitologia a poesia e filosofia, se deixou seduzir pelo universo da ilustração "que me permitia aproximar a imagem com a palavra, recuperando no desenho o que ele tem de possibilidade de escrita", sintetiza.

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Como toda paixão, porém, não foi uma relação fácil. Odilon trabalha com a aquarela - e o seu traço, poético, sempre se encaixou com perfeição nos livros para os de menos idade. Mas o que é infantil? Só de uns cinco anos para cá é que ele conseguiu encontrar uma resposta satisfatória. Alguns livros ajudaram Odilon a entender a extensão do trabalho, a apaziguar o espírito. Saiba quais foram a seguir.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Livro do Desassossego

Autor: Fernando Pessoa
Editora: Companhia das Letras

"Eu tinha lido essa obra na época de estudante, mas algo bem diferente se passa quando você descobre a poesia - e ela faz ‘puff!’ dentro da gente… Devia ter uns 25 anos, quando isso aconteceu. Já trabalhava como ilustrador, mas continuava a ser pintor - vivia uma crise de identidade, não sabia que caminho seguir e foi aí que apareceu Fernando Pessoa e esse livro escrito entre os anos 20 e 30, espécie de diário que ele diz ter sido escrito por Bernardo Soares para me fazer entender que o ilustrador também é quase um heterônimo de si mesmo, a cada livro ele tem de criar outro ser, alguém que inventa uma espécie de ‘alter ego’ para tentar se aproximar do autor da história. Foi uma leitura que me ajudou a encontrar o equilíbrio comigo mesmo - fundamental, porque me fez entender o trabalho do ilustrador."
2. A Árvore Generosa

Autor: Shel Silverstein
Editora: Cosac Naify

"É um livro entrou na minha vida quando morei em Paris, no final dos anos 90. Uma amiga apresentou o trabalho desse americano, dizendo que se tratava do livro mais lindo de ilustração que já tinha visto - e ela estava certa, eu realmente fiquei maravilhado! Com "A Árvore Generosa" aconteceu um processo inverso ao provocado por Fernando Pessoa, fui obrigado a olhar para mim mesmo como ilustrador - comecei a perceber que a atividade não era simplesmente uma prestação de serviços (para o autor da história), mas sim que existia uma autoria da parte de quem desenhava, enfim, o ilustrador não atua apenas como intérprete da história. Shel Silverstein conta a história entre um menino e uma árvore e o faz com traço mínimo, linhas simples - no final, a árvore se dá inteira à personagem, é poético, além de chamar a atenção sobre ecologia e responsabilidade social."
3. Onde Vivem os Monstros

Autor: Maurice Sendak
Editora: Cosac Naify

"Trata-se de um marco da nova literatura infanto-juvenil - e eu descobri esse livro há uns dez anos, no Brasil… Um livro que causou profunda impressão dentro de mim ao mudar a relação que eu tinha com a página dupla. Sendak, outro americano, me fez perceber o uso do suporte, no caso, o livro - a narrativa como algo que se constrói com o texto, o desenho e também a página do livro, a disposição dos elementos nesse espaço em branco. Nessa obra, o desenho aumenta e conquista o espaço em branco de acordo com o desenrolar da história, diminuindo também em razão do conteúdo imaginado para o final. Você percebe que o livro, como objeto, também fala! Em relação à criança, vai estimular que ela estabeleça outra relação com o livro."
4. Dicionário de Humor Infantil

Autor: Pedro Bloch
Editora: Ediouro

"Pedro Bloch é um médico que passou a vida coletando frases de crianças, umas maravilhas (o livro aparece nas primeiras edições com o título "Criança sabe das coisas’). Foi indicação de outra amiga, ela trabalha com pedagogia e ilustração. Li por volta de 2003 e lembro que me abriu um horizonte de entendimento - antes, eu simplesmente aceitava trabalhos encaminhados pelas editoras, dizia que tinha uma relação com literatura e desenho, mas nada sabia do que era isso, ‘infantil’. Aí aconteceu um ‘click’: sempre fui leitor de poesia e filosofia e, nesse livro do Bloch, comecei a perceber que inúmeros questionamentos das crianças tinham uma vivacidade e uma pureza de pensamento que geravam uma potência poética enorme - se isso era classificado de ‘infantil’, bem, então o que eu faço e gosto de fazer é mesmo literatura infantil, afinal, eu me identifico muito com poesia, filosofia e essa chama viva que a criança tem. Essa leitura significou uma redenção - entendi que o que era chamado de infantil nada tinha de diminutivo ou restritivo."
5. Poesia Completa de Manoel de Barros

"Qualquer poema que você lê nesse livro, no sentido do que estamos chamando de infantil, transita nesse universo. ‘Quando crescer, quero virar criança’, Manoel gostava de dizer - ou seja, a linguagem dele busca essa inocência. Esse livro representou o coroamento da minha descoberta sobre o valor do meu trabalho, de aceitar esse universo infantil como algo muito singular. Eu já conhecia a poesia de Manuel de Barros, mas não tinha esse entendimento, como ela transita por esses universos, afinal, o que poderia ser infantil em um pensamento tão vivo? Cheguei a essa conclusão faz pouco, menos de cinco anos para cá. Os pais deveriam ler essas poesias para os filhos - e se preparar desde já para o que vão provocar…"

 

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