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HABILIDADES NÃO-COGNITIVAS

Você é responsável por quem cativa?

Sugestões de livros que como O Pequeno Príncipe valorizam a sociabilidade


13/03/2015 15:21
Texto Cynthia Costa
Educar
Foto: Thays Aguiar
Foto: Impedir seu filho de conviver com crianças da mesma idade é tirar a oportunidade de desenvolver uma sociabilidade saudável.
Impedir seu filho de conviver com crianças da mesma idade é tirar a oportunidade de desenvolver uma sociabilidade saudável.

A sociabilidade começa desde cedo, e é possível ensinar as crianças a serem mais sociáveis e extrovertidas. Uma das formas de fazer isso é por meio da literatura e seus personagens. O Patinho Feio, por exemplo, pode ser trabalhado para mostrar a importância de aceitar as pessoas como elas são e de conviver com as outras pessoas. Afinal, uma criança sociável é capaz de fazer e de manter amizades, de expressar e compreender sentimentos e opiniões e respeitar o outro.

Habilidades não-cognitivas Especial Habilidades não-cognitivas
Veja porque estimular competências como sociabilidade, curiosidade e dedicação no seu filho.
Nesta série especial do Educar, selecionamos livros que incentivam, de alguma forma, o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais. Aproveite as dicas para ler junto com o seu filho: a leitura acompanhada - quando você lê para a criança - ou compartilhada - quando vocês leem o mesmo livro e depois o discutem - podem ser ferramentas fabulosas para reforçar os laços e aprender juntos. Aproveite a experiência para conversar sobre a mensagem da história, as personagens e qualquer outro tema decorrente da leitura.

A seguir, veja livros que incentivam o desenvolvimento da sociabilidade.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen

Esse clássico da literatura infantil conta a história de um patinho não aceito e considerado feio pelos outros patos. Na verdade, porém, ele é apenas... diferente.

Palavra de especialista: "O patinho é diferente dos outros, o que impede que ele se sociabilize. Com um final surpreendente, o conto critica o modelo pela diferença", analisa o professor Thiago Veríssimo, pesquisador da área de literatura de Belém (PA) e defensor dos aprendizados por meio da fantasia - e os contos de fada e fábulas são perfeitos para isso. "O grande interesse das crianças pela literatura infantil é o imaginário. Trabalhar problemas reais de maneira simbólica é a grande vantagem", diz.

Converse com o seu filho: Será que ele conhece um "patinho feio" ou ele mesmo se sente assim às vezes? O conto parece ter sido feito sob medida para os nossos tempos, em que o bullying nas escolas tem sido tão discutido. Mais do que consolar uma criança que não se sente aceita, ele pode abrir os olhos dela para a sociabilidade: se ela aceitar os coleguinhas como eles são, certamente ela também será mais aceita.

Faixa etária: 6-7 anos
2. O Roubo do Arco-Íris, de Katia Canton

Quem tem amigos tem tudo, não é verdade? Nesta gostosa aventura, três crianças adoram o arco-íris e querem entender por que ele não apareceu desta vez. O trio fica bem unido na missão de desvendar o mistério e até faz uma nova amizade um tanto inesperada, mostrando que a sociabilidade é uma ferramenta importante para realizar uma grande tarefa.

Palavra de especialista: "Essa história fantasiosa, que tem até uma bruxa, pode servir como base para tratar da importância da amizade e da colaboração, além de introduzir questões de ciências na explicação sobre o arco-íris", indica a professora da Educação Infantil Andréia Riconi, que pesquisa literatura na Universidade Federal de Santa Catarina.

Converse com o seu filho: Uma história alegre e com uma boa mensagem, ideal para ler para o seu filho antes de dormir. Com quais amiguinhos será que ele gostaria de viver uma aventura como essa?

Faixa etária: 6-7 anos
3. Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque

A bela adaptação da Chapeuzinho Vermelho, toda em versos, fala de uma garotinha com muitos medos - principalmente de um lobo capaz de comer não só a vovozinha, mas também várias outras pessoas, além de muita comida. Trata-se de uma narrativa sobre a superação do medo, que pode fazer uma ponte com a questão da sociabilidade: afinal, muitas vezes não nos abrimos a novas amizades por puro receio.

Palavra de especialista: "As crianças têm medos, e um deles é o do desconhecido - no caso, o lobo, que simboliza isso", examina o professor Kall Sales, que também é colaborador do ENEM. Trabalhando a ideia do medo por meio do texto rimado e delicioso de Chico Buarque, indiretamente se trabalha também a abertura a novas experiências e ao conhecimento de novas pessoas. No livro, ao se defrontar com o lobo que tanto imaginara, a Chapeuzinho se dá conta de que não precisava ficar tão apavorada.

Converse com o seu filho: As outras pessoas lhe despertam medo? E será que esse medo tem fundamento? Incentive seu filho a se lembrar de alguma vez em que superou o receio de fazer amizade com um amiguinho após conhecê-lo melhor.

Faixa etária: 8/9 anos
4. A História de Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach

Perdão, amor e liberdades são os principais temas da história da gaivota Fernão, inconformada com a rigidez da vida de gaivota. Ao mudar de bando - passando a aprender com mestres gaivotas no novo grupo -, Fernão percebe que, acima de tudo, tem de ser fiel a si mesmo.

Palavra de especialista: O professor e pesquisador na área de literatura Davi Gonçalves ressalta que o livro mostra outro lado da sociabilidade - os limites entre os outros e a individualidade. "A lição que podemos depreender desse belo livro é que temos de dar atenção aos outros, mas não a ponto de abrir mão do que nos é essencial", diz.

Converse com o seu filho: Em que situação seu filho preferiu se manter diferente das outras crianças? Como foi a experiência?

Faixa etária: 10-12 anos
5. O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry

Perdão, amor e liberdades são os principais temas da história da gaivota Fernão, inconformada com a rigidez da vida de gaivota. Ao mudar de bando - passando a aprender com mestres gaivotas no novo grupo -, Fernão percebe que, acima de tudo, tem de ser fiel a si mesmo.

A celebrada narrativa poética do principezinho que mora sozinho em um asteroide e tem - a princípio - apenas uma rosa um tanto temperamental para lhe faze companhia.

Palavra de especialista: "Uma das famosas mensagens do livro é ‘essencial é invisível aos olhos’, o que nos leva a questionar pré-julgamentos e não se basear nas aparências", avalia o professor de língua e literatura Kall Sales, de Fortaleza (CE). Assim, com a história sensibilíssima do principezinho, podemos aprender que é preciso conversar com alguém e procurar conhecê-lo antes de se precipitar em julgamentos superficiais que podem até impedir a formação de grandes amizades.

Converse com o seu filho: "Para focar na sociabilidade, eu partiria de um recorte dos diálogos com a flor, a raposa e a cobra", sugere o professor. Com base nas interações do protagonista, é possível questionar como fazemos amigos e como podemos escolher os nossos amigos. A doçura do Pequeno Príncipe, sua atitude aberta e curiosa, é um exemplo interessante de sociabilidade.

Faixa etária: 10-12 anos
6. Insônia, de Marcelo Carneiro da Cunha.

Perdão, amor e liberdades são os principais temas da história da gaivota Fernão, inconformada com a rigidez da vida de gaivota. Ao mudar de bando - passando a aprender com mestres gaivotas no novo grupo -, Fernão percebe que, acima de tudo, tem de ser fiel a si mesmo.

A personagem Cláudia vive sob a ausência da mãe, que perdera quando criança. A partir disso, a adolescente é obrigada a amadurecer e adquirir autonomia, na medida em que seu pai se mostra um homem um tanto desorganizado. Apesar das responsabilidades, Cláudia mantém amizades, principalmente com Carla, porém, o curioso aqui será o vínculo estabelecido com uma mulher mais velha, de certa maneira suprindo uma necessidade de vínculo materno por parte da protagonista e revelando uma das curiosidades do livro quanto ao tema da sociabilidade.

Palavra de especialista: "Esta obra praticamente introduz na literatura brasileira o tema dos relacionamentos virtuais, uma vez que Cláudia mantém conversas na internet importantes para o enredo", ressalta Vinicius da Silva Rodrigues, professor de literatura do Colégio Santa Cecília e do curso pré-vestibular Fleming Medicina, ambos em Porto Alegre (RS). "Ainda que o romance seja um tanto datado nesse sentido (trata-se de um livro lançado no final dos anos 1990), é possível dialogar com o mesmo tranquilamente ainda hoje, mesmo em tempos de redes sociais bem mais evoluídas".

Converse com o seu filho: Como a personagem reage à ausência da mãe? Que papel as amizades desempenham nesse cenário. Em relação ao uso da internet, o livro é um bom ponto de partida para discutir como as relações mudaram ao longo desses últimos 20 anos.

Faixa etária: 15-17 anos
7. O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

O jovem Holden Caulfield é expulso de um internato e empreende uma jornada de volta para casa, exprimindo seu olhar amargurado, mas também um tanto ingênuo, sobre sua família, seus amigos e seus antigos professores. Ele se lembra constantemente de uma cantiga, que se confunde em seus pensamentos com uma imagem de sonho, em que é um catcher de beisebol, tentando segurar crianças num campo de centeio para que elas não caiam num precipício. Com isso, Holden parece querer segurar sua própria inocência, evitando cair no "precipício" do mundo adulto, só encontrando a paz de espírito e o afeto em Phoebe, sua irmã mais nova, na medida em que sua jornada também parece ser, na verdade, em direção a ela.

Palavra de especialista: "Uma boa forma de discutir um conceito é analisá-lo às avessas: o clássico de J. D. Salinger mergulha nos pensamentos de Holden Caulfield, um rapaz de 17 anos nitidamente antissocial", apresenta o professor Vinicius da Silva Rodrigues. Sem dúvida, não faltam adolescentes que se identificam com essa "antissociabilidade" - e é justamente por isso, além de seu valor literário, que o livro de Salinger merece ser lido nessa fase da vida.

Converse com o seu filho: Esse clássico da leitura adolescente é tão cheio de nuances, que vale a pena permitir que o jovem expresse, por si mesmo, o que a leitura lhe provocou. A partir disso, vocês podem explorar temas como solidão, independência e perspectivas de futuro.

Faixa etária: 15-17 anos

 

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