Educar para Crescer
busca

Educar para crescer

LITERATURA

Lygia Bojunga

A premiada escritora de A Bolsa Amarela fala sobre suas obras, sua editora e o avanço das tecnologias voltadas para a leitura


09/04/2012 15:54
Texto Manoela Meyer
Educar
Foto: Divulgação
"Creio que muita água ainda vai passar antes que o livro físico desapareça", diz Lygia

Lygia Bojunga se consagrou como autora de alguns dos livros mais conhecidos da literatura infanto-juvenil brasileira. "Os Colegas", "Angélica" e "A Bolsa Amarela" são algumas das obras que já completaram algumas décadas de existência, mas continuam presentes nas estantes das crianças.

Nascida em Pelotas (RS) em 1932, Lygia levou quase 40 anos para conseguir viver apenas de seu talento literário. Durante esse tempo, atuou em peças de teatro, trabalhou em rádio e televisão e chegou a fundar uma escola para crianças pobres do interior, que dirigiu por cinco anos. Mas foi como escritora que Lygia alcançou um enorme prestígio. Em 1982, recebeu o prêmio Hans Christian Andersen, e em 2004 o prêmio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award), os dois mais importantes prêmios internacionais da literatura infanto-juvenil.

Atualmente, a escritora cuida dos negócios de sua própria editora - "Casa Lygia Bojunga" - que publica exclusivamente seus livros. Também é responsável pela Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga, sediada no Rio de Janeiro e que desde 2004 desenvolve projetos socioeducativos voltados para o estímulo da leitura de crianças e jovens.

Leia abaixo nossa entrevista com Lygia Bojunga.

Para ler, clique nos itens abaixo:
O que a levou à literatura? Por que optou inicialmente em escrever para crianças?
Lygia Bojunga: Meu gosto pela escrita foi resultado da minha paixão pela leitura. Paixão que começou em criança, quando penetrei no Sítio do Pica-Pau Amarelo e devorei todos os livros que o Monteiro Lobato situou naquele sítio. Comecei, então, a escrever umas historinhas e, depois, brincar de representar as histórias, com meus amigos. Brincadeira que - como adolescente - repetia na escola. Nos meus vinte anos, fui desenvolvendo uma familiaridade crescente com a forma dialogada de escrever.

Tudo que eu escrevia era em diálogo. E comecei, então, a escrever profissionalmente. Primeiro para o Rádio, depois para a Televisão. Até que, um dia, me perguntei: mas se meu companheiro inseparável é o LIVRO, por que não tentar alargar esse relacionamento e enveredar pela literatura? Enveredei. E, se optei, inicialmente, por uma literatura voltada para crianças foi por achar - talvez erradamente - que a transição do diálogo para a narrativa me seria menos difícil se eu usasse uma linguagem simples, coloquial, ao alcance de qualquer criança. Pensei que, desse modo, o gênero narrado ficaria mais ao meu alcance, também.
Como a imaginação é capaz de ajudar as crianças a refletirem sobre seus problemas e o que captam do mundo?
Lygia Bojunga: Já disse (e escrevi) outras vezes que, a não ser em situações extremas, tipo acidentes, doenças graves, morte, quem se habituou a fazer uso desse nosso departamento chamado imaginação se salva sempre; e, na minha opinião, não existe nada que desenvolva tanto a imaginação como o LIVRO. A literatura funciona para nós como um espelho. Quanto mais nos olhamos nele, mais vamos captando revelações sobre nós mesmos e, consequentemente, sobre nossa postura face ao mundo.
Quais as principais diferenças que a senhora enxerga ao escrever para crianças e para adultos?
Lygia Bojunga: Não sou a pessoa mais indicada para responder esta pergunta uma vez que meu ponto de partida, ao iniciar um novo livro, não é escrever para esta ou aquela faixa etária. O que sempre mais me interessou na escrita é a criação de personagens que, ora saem com "cara de quem criança gosta de enturmar com", ora não saem. Mas se você me perguntar por que isso acontece, vou te responder com toda a sinceridade: não sei.
Em 2002 foi inaugurada a Editora Casa Lygia Bojunga, com o objetivo de publicar apenas livros seus. Por quê?
Lygia Bojunga: O que me impulsionou, fundamentalmente, para criar minha pequena editora - que por sinal está comemorando dez anos de vida saudável - foi o desejo de aprofundar ainda mais o meu relacionamento com o LIVRO. Quis aprender a "ficar junto dele" todo o caminho: desde o momento em que crio o primeiro personagem até ver o objeto-livro pronto, na mão de meus leitores.
Seus livros ainda são bem recebidos pelo público infantil?
Lygia Bojunga: Sim. São os meus livros mais voltados para crianças que melhor contribuem para o sustento da editora.
Por que as crianças de hoje deveriam ter contato com sua obra?
Lygia Bojunga: Será que DEVERIAM?...
O que a senhora pensa do avanço da tecnologia, das previsões de que as futuras gerações nem tenham mais contato com o livro físico?
Lygia Bojunga: Creio, ou pelo menos quero crer, que muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte antes que o "livro físico" desapareça.
A senhora tem tido contato com a literatura infantil atual?
Lygia Bojunga: Confesso a você que não tenho tido muito contato com a chamada literatura infantil contemporânea e, portanto, qualquer opinião minha a respeito não seria merecedora de atenção.
Desde "Querida", de 2009, a senhora não lança um novo livro. Há algum no forno?
Lygia Bojunga: Pouco depois de concluir "Querida" iniciei um livro que está prestes a sair do forno. Desta vez, é um livro que mistura personagens fictícios com autobiografia.

 

amigos do educar

 


lição de casa

Crianças que fazem a lição de casa diariamente aprendem mais, têm notas melhores e se tornam mais seguras. Faça a sua parte!



depoimentos

Marina Silva, Martha Medeiros, Nelson Motta e outras personalidades brasileiras revelam o impacto de uma boa Educação no futuro



recomendamos

EDUCAÇÃO INFANTIL
Como contribuir com essa importante fase de formação da criança

ENSINO FUNDAMENTAL 1
Como acompanhar os primeiros passos da vida escolar de seu filho

ENSINO MÉDIO
Dicas para pais e alunos enfrentarem esta fase de novos desafios

mais lidos

ALFABETIZAÇÃO
11 dicas para ajudar na alfabetização de seu filho

TECNOLOGIA
52 sites que ensinam e divertem a criançada