Não se sabe ao certo a autoria do mais extenso poema épico da literatura indiana - e também da literatura universal -, escrito há mais de 5 mil anos. O Mahabharata tem mais de 200 mil versos em 18 livros, ou parvas, que por muito tempo foram creditados unicamente a um autor, Krishna-Dwaipayana. Hoje a tendência é vê-lo mais como um compilador, como um mentor da grande obra.
A proposta do mar de versos escritos em sânscrito é narrar "A Grande Batalha dos Bharatas", como diz o título. A história da Grande Índia, porém, acaba sendo contada por meio da narrativa central - as guerras de linhagens, especialmente entre o clã do rei Bharata e as famílias rivais, Cauravas e Pandavas. Mas, se há milhares de versos narrando em detalhes cenários de guerra e batalhas cruéis, esses mesmos versos são escritos de forma graciosa, melódica, poética. Um forte conteúdo moral e religioso permeia os temas da narrativa, que, de tão heterogênea e eclética, acabou sustentando muitas das filosofias indianas e teria sua explanação mais profunda no Bhagavad Gita. A narrativa é feita por Vyasa, um velho eremita com trajes de mendigo que volta e meia invade a história. Há nessa imensa compilação espaço para a maior parte dos deuses indianos. Ganesh, o deus com cabeça de elefante, e Krishna, entre outros, figuram em muitos dos versos do Mahabharata.
O livro, portanto, cumpre o papel de uma compilação histórica, de uma enciclopédia dos temas sagrados e profanos recolhidos por milênios de diversas fontes da cultura indiana e expostos sob a versão literária de um grande e belo poema.
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