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LITERATURA

As Metamorfoses

Os poemas de imagens desconcertantes de Murilo Mendes consagram o homem e o valor da liberdade


11/07/2011 19:31
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: ANTONIO ANDRADE
Foto: Antônio Andrade criou uma obra repleta de metafísica
Murilo Mendes criou uma obra repleta de metafísica

O título deste livro do poeta mineiro Murilo Mendes pode ser usado para designar o processo pelo qual passa toda a sua obra ao longo de quatro décadas de produção. Publicado em 1944, As Metamorfoses apresenta uma poesia muito inspirada por elementos de uma corrente das vanguardas européias do início do século 20, assim como por uma forte espiritualidade, presente desde Tempo e Eternidade (1935), escrito em parceria com Jorge de Lima.

Influenciado pelas técnicas de composição do Surrealismo, o autor constrói uma poesia fortemente imagética, imbuída da forma de ver o mundo por meio de sentidos não embotados pela lógica do cotidiano. Também são fortes os elementos místicos, eróticos, de tensão entre o sagrado e o profano. A conversão ao catolicismo, suscitada pela morte do amigo Ismael Nery, ofereceu-lhe matéria poética sem retirar de sua poesia a força libertária e de luta contra a ordem estabelecida.

Apesar das mudanças por que passou a obra do escritor desde a estréia em 1930, com Poemas, um elemento jamais se ausentou de sua poesia: o caráter social. Ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Mendes fez parte da segunda geração de escritores modernistas, a qual acrescentou ao movimento um novo caráter de ruptura de antigos padrões e estabelecimento de novas orientações. Aliás, os estudiosos costumam criar um paralelo entre o trabalho de Murilo Mendes e o de Drummond, que, com Alguma Poesia, também estreou em 1930. Ambos iniciaram suas carreiras com obras marcantes e revolucionárias. O livro de Drummond traz, entre outros, o célebre No Meio do Caminho, enquanto as dezenas de versos do livro de Murilo Mendes demonstravam um talento e uma criatividade inéditos até então, além de desempenharem a inusitada função de mostrar aos cariocas um Rio de Janeiro revigorado por uma nova perspectiva (como fez no Novíssimo Prometeu, do livro O Visionário, 1941, em que põe o titã mitológico acorrentada ao Pão de Açúcar).

O caminho da produção de Murilo Mendes é tortuoso e sua importância transcende a excelência estilística. Muito mais do que isso, o corpo de sua obra deixa claro o empenho do pensador na busca da compreensão do humano e de seu papel diante da vida e da própria existência. Em As Metamorfoses, Mendes trata o leitor como um amigo próximo e digno de conselhos úteis sobre seu papel no mundo e sobre o valor da liberdade. Diz o crítico e professor Fábio de Souza Andrade, acerca da obra: “Livro central em sua produção, As Metamorfoses abre-nos de par em par as portas de um universo poético em pleno vigor”.

Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora no dia 13 de maio de 1901. Órfão de mãe desde muito jovem, aos 9 anos iniciou sua trajetória na poesia que, segundo ele, foi motivada pela passagem do cometa Halley. Depois de várias viagens pela Europa, em 1957 fixou residência em Roma, onde se tornou professor de Literatura Brasileira. Visitou o Brasil pela última vez em 1972. Morreu no dia 13 de agosto de 1975 em Lisboa, onde foi sepultado.


 

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