Educar para Crescer
busca

Educar para crescer

LITERATURA

A Moreninha

O sucesso estrondoso da obra transformou Joaquim Manuel de Macedo no único rival dos europeus Eugène Sue, Walter Scott e Alexandre Dumas no gênero folhetinesco


11/07/2011 17:21
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Autor Desconhecido
Eugène Sue
Eugène Sue, um dos romancistas europeus que inspirou Joaquim Manuel de Macedo
----- PAGINA 01 -----

No Brasil de meados do século 19, havia uma distância cultural entre as elites, que buscavam copiar os valores e costumes europeus, e o povo em geral, que se pautava por estéticas e hábitos rejeitados pelos primeiros. Na literatura, romances e folhetins eram lidos quase que exclusivamente por mocinhas e rapazes da Corte e por senhoras casadas com representantes da alta burguesia: políticos, banqueiros, comerciantes etc. Esperava-se com ansiedade a chegada do paquete, que trazia as novidades da Europa: romances de Eugène Sue, Alexandre Dumas, Walter Scott. Assim, o nosso Macedinho (como o escritor era carinhosamente chamado) foi um dos primeiros a lançar-se nesse bem-sucedido filão e, sem dúvida, tornou-se o mais amado nos primórdios de nossa literatura.

Nascido em junho de 1820, em Itaboraí, Rio de Janeiro, Joaquim Manuel de Macedo graduou-se em medicina, mas, em vez de dedicar-se a esse ofício, tornou-se professor (deu aulas no Colégio Pedro 2o e foi preceptor dos filhos da Princesa Isabel), político (elegeu-se várias vezes deputado pela ala conservadora do Partido Liberal) e, claro, escritor. Morreu em 11 de abril de 1882, deixando uma obra extensa, entre romances, peças de teatro, poesia e livros que hoje despertam grande interesse histórico, como Um Passeio Pela Cidade do Rio de Janeiro (1878).

Lançada em 1844, A Moreninha foi sua primeira e mais importante obra de ficção. O livro fez sucesso tão grande e inesperado que levaria Macedo a escrever outros 17 romances, entre melodramáticos, cômicos e históricos. Nenhum, porém, com notável evolução de estética ou de conteúdo. Neles, o escritor demonstrou claramente uma tentativa de seguir a "receita” do seu sucesso. Em A Moreninha, Augusto, um estudante de medicina, aposta com seus colegas que jamais se apaixonaria por mulher alguma por mais de 15 dias e que, caso um dia isso ocorresse, escreveria um romance sobre a relação. Em pouco tempo, apaixona-se por Carolina, irmã do amigo Felipe, um dos colegas com quem tinha feito a aposta. Entretanto, Augusto tinha jurado, quando criança, amor eterno a uma menina cujo nome não sabia. Por isso, a relação com Carolina evolui com dificuldade, até que, ao final da história, a moça revela ser sua paixão de infância, e os dois finalmente se casam. E o romance que tinha prometido é escrito: A Moreninha.

De acordo com o crítico Antonio Candido, em Formação da Literatura Brasileira, o valor social e literário da obra de Macedo está no "fato de ele se ter esforçado em transpor a um gênero novo entre nós os tipos, as cenas, a vida de uma sociedade em fase de estabilização, lançando mão de estilo, construção, recursos narrativos os mais próximos possíveis da maneira de ser e falar das pessoas que o iriam ler”. Embora, no plano estético, ainda segundo o crítico, haja "incoerência à vontade” e "verossimilhança ocasional”, Macedo foi o escritor mais lido entre fins da década de 1840 e início da de 1850. Um dos fundadores do romance brasileiro, foi considerado nosso principal ficcionista até o êxito de O Guarani (1857), de José de Alencar.



amigos do educar

 
 


depoimentos

Marina Silva, Martha Medeiros, Nelson Motta e outras personalidades brasileiras revelam o impacto de uma boa Educação no futuro



recomendamos

MAIS LEITURA
Conheça atividades simples - e baratas! - que podem transformar seu filho em um pequeno grande leitor

TESTE
Você sabe lidar com seu filho adolescente?

mais lidos

VESTIBULAR
Os 100 melhores livros da literatura brasileira para você ler uma vez na vida

FÉRIAS E FILMES
Uma seleção de filmes que passam grandes lições e podem tornar as férias mais divertidas

blogs

Realização

Apoio