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LITERATURA

Nova Antologia Poética

Coletânea mostra a força e a diversidade de uma obra que vai além da imagem deixada pela produção de Vinícius de Moraes para a Bossa Nova


11/07/2011 17:25
Texto Daniel Schneider e Thiago Minani
Bravo
Foto: Wagner Berber
Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes, que além de compositor teve importante participação na literatura brasileira

Muita gente conhece Vinícius de Moraes por sua ligação com a Bossa Nova, quando, nos anos de 1950 e 1960, escreveu letras para canções de grande repercussão, como A Felicidade ou Garota de Ipanema (ambas com Tom Jobim). A essa fase está colada a imagem do poeta boêmio, com um copo de uísque ao lado do violão. Outros se lembram de alguns sonetos de inspiração camoniana, que celebram o momento e a busca pelos prazeres sensuais, ainda que transitórios, como o Soneto de Separação e o Soneto de Fidelidade ("Eu possa me dizer do amor (que tive):/Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure").

Mas a trajetória de Vinícius na literatura brasileira evoca também uma primeira fase, de inspiração religiosa e forte tom neo-simbolista, quando nutria amizade com o também poeta Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) e o escritor Octavio de Faria (1908-1980). Os poemas dessa sua fase mística constam da primeira parte de sua primeira Antologia Poética, compilada em 1954 com a ajuda de amigos, sobretudo Manuel Bandeira. A segunda parte abrange composições que, segundo Vinícius, foram escritas em oposição ao período anterior. Contém poemas de grande voltagem erótica e outros de preocupação social, como O Operário em Construção. Nesta seção "estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material com a difícil, mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos", diz o escritor Rubem Braga no prefácio do livro.

Recentemente, os poetas Antônio Cícero e Eucanaã Ferraz lançaram a Nova Antologia Poética, que inclui poemas produzidos após 1954. Além disso, procurando conferir uma feição mais moderna ao poeta, introduziram ali criações como A Cidade em Progresso e Crepúsculo em New York, em conjunto com outras, nas quais Vinícius faz experiências com jogo de palavras, como P(B)A(O)I e Blues para Emmet Louis Till. Ao mesmo tempo, eliminaram, por considerarem a seleção do autor “complacente”, vários poemas da fase "transcendental"; jogando fora também, infelizmente, algumas belíssimas criações, como o quarto dos Sonetos de Meditação ("Apavorado acordo, em treva. O luar/É como o espectro do meu sonho em mim"). Segundo o crítico literário José Castello, a opção fez com que "se perdesse aquilo que o poeta tinha de mais próprio: a capacidade de conter paradoxos, de ser múltiplo". Ainda assim, salienta o esforço dos organizadores em buscar um "Vinícius integral, e não mutilado pelo tempo".

Nascido no Rio de Janeiro, em 1913, Marcus Vinícius de Melo Moraes fez estudos secundários num colégio jesuíta e formou-se em direito. Estreou na literatura com O Caminho para a Distância, em 1933. Estudou literatura inglesa em Oxford e entrou para a carreira diplomática em 1943, servindo nos Estados Unidos, na Espanha, no Uruguai e na França. Morreu em sua cidade natal, em julho de 1980. Também publicou, entre outros, Para Viver um Grande Amor (1962), Para uma Menina com uma Flor (1966) e Orfeu da Conceição (1967).



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