Nome de maior projeção no grupo dos modernistas de Goiás, Bernardo Élis começou a sua carreira pela poesia. Tornou-se referência do regionalismo tradicional com os contos de Ermos e Gerais (1944) e, sobretudo, com seu primeiro romance, O Tronco (1956). Este segundo livro enfoca a disputa pelo poder numa vila do extremo norte de Goiás, o Duro, último reduto da família Melo. Conhecidos pelo despotismo com que governam a região que fundaram, os Melos são combatidos por toda parte. O idealista Vicente Lemes, parente dos Melos e nomeado coletor por influência deles, luta para restabelecer a paz. Mas a intervenção da Força Estadual precipita uma luta bárbara que, sem assegurar o cumprimento das leis, prejudicará ambas as partes. O romance é extraído de uma história real, de fatos ocorridos em Goiás, nos idos de 1917 e 1918.
No sertanismo goiano-mineiro, que passou a competir em prestígio com a literatura do Nordeste, Élis, por causa de Ermos e Gerais, antecipou-se a Guimarães Rosa (Sagarana é de 1946), Mário Palmério (Vila dos Confins, 1956) e José J. Veiga (Os Cavalinhos de Platiplanto, 1959). Nascido em 1915, em Corumbá de Goiás, Bernardo Élis Fleury de Campos Curado iniciou-se na carreira pública como secretário da Prefeitura Municipal de Goiânia. Depois, fez carreira no magistério. Foi fundador da União Brasileira de Escritores de Goiás e membro da Academia Brasiliense de Letras, para a qual foi eleito em 1975. Morreu em 1997, na sua cidade natal.
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