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Em 1759, o Marquês de Pombal decretou a expulsão dos jesuítas das terras brasileiras. Os religiosos que habitavam as Sete Missões do Uruguai resistiram e entraram em guerra contra os portugueses. O episódio, que terminou com a vitória de Portugal, virou tema do épico O Uraguai (1769), a maior obra do mineiro — então residente em Lisboa — Basílio da Gama (1741-1795).
Constituído de cinco cantos feitos em versos decassílabos brancos (sem rimas), o poema distancia-se do Arcadismo vigente no tema, mas aproxima-se do tratamento que a escola dá à linguagem. Apesar de épica, a obra rompe com a forma clássica camoniana e abandona as referências mitológicas comuns aos antigos. O fantástico aparece somente nas mãos dos indígenas, que dividem o papel de heróis com os portugueses no relato. Trata-se de uma antecipação do indianismo romântico, porém com motivações diferentes — em vez de buscar a consolidação de um mito nacional, Basílio utiliza o nativo para desmerecer os jesuítas, retratados de forma caricata. O enviesamento do autor se deve à relação de subserviência que mantinha com o Marquês de Pombal, responsável por livrá-lo de uma condenação ao degredo em Angola.
A falta de rigor na reprodução dos fatos, contudo, não tira o principal mérito de O Uraguai: a linguagem fluente e marcante, que, em alguns pontos, exprime exímia habilidade no arranjo rítmico e sonoro. Destaca-se, também, a descrição rápida e densa que o autor faz da natureza, outra aproximação com a linguagem romântica.
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