Nada indicava que Jane Austen (1775-1817), filha de um pastor anglicano de província, se tornaria uma das escritoras mais lidas da Inglaterra. Mas o fato é que a observação do ambiente rural serviu de esteio às suas comédias de costumes, em que a descrição social e humana se iguala à dos grandes mestres.
A primeira versão da obra se chamou First Impressions a partir do ditado que diz "first impressions are half of the battle" (as primeiras impressões perfazem metade da conquista). Trata-se de uma ironia. Ao longo da narrativa, a heroína Elizabeth Bennet acaba por rever sua antipatia inicial pelo bem-nascido e egocêntrico Darcy, que a ridicularizara num baile - ocasião em que a família da moça pretendia encontrar pretendentes para as filhas solteiras. Vários mal-entendidos e histórias paralelas costuram as mudanças de humor de Elizabeth e de Darcy. Os acontecimentos, contudo, têm interesse relativo. A importância da obra reside no estudo minucioso dos personagens na crítica social. De maneira sutil, Jane Austen mostra os danos causados às mulheres inseridas em uma cultura criada por homens e para os homens.
O romancista Walter Scott (1771-1832) escreveu, na ocasião em que relia pela terceira vez o romance, que o talento da autora para a descrição das "ocorrências, sentimentos e personagens da vida comum" era o mais extraordinário que encontrara. Jane Austen morreu quase ignorada aos 43 anos, depois de ter publicado anonimamente algumas das obras-primas da literatura inglesa, entre elas Razão e Sensibilidade (1811) e Mansfield Park (1814).
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