Até o início do século 20, os romances sobre a Índia colonial privilegiaram o ponto de vista do colonizador britânico. A contribuição de Edward Morgan Forster (1879-1970) em Uma Passagem para a Índia, publicado em 1924, foi ter lançado dúvida sobre as virtudes morais desse olhar, ao reconstituir os múltiplos aspectos de uma realidade complexa. O romance acompanha a viagem de Adela Quested e sua futura sogra, a senhora Moore, a Chandrapore. Às vésperas de seu casamento com um magistrado, Adela deseja conhecer a "verdadeira" Índia. Acompanhada da sogra e do Dr. Aziz, assistente hindu do cirurgião civil britânico, visita as cavernas de Marabar. Lá, a senhora Moore sofre um colapso nervoso. Baseada em suposições, Adela acredita que a sogra tenha sido vítima de um ataque sexual. O Dr. Aziz é preso. No fim, descobre-se que o crime jamais ocorreu. O que é posto em julgamento, na obra, são o preconceito e as tensões (inclusive eróticas) inerentes às relações entre colonizador e colonizado.
Forster foi amigo de vários membros do Grupo de Bloomsbury, especialmente de Virginia Woolf. Durante a Primeira Guerra Mundial, uniu-se à Cruz Vermelha e serviu em Alexandria até 1919. Em suas obras - dentre as quais se destacam Um Quarto com Vista (1908), Howards End (1910) e Maurice (escrito em 1912, mas publicado postumamente, em 1971, por abordar o tema da homossexualidade) - Forster não se deixa levar pela caricatura e por soluções simplistas. Trata de demandas sociais por meio de personagens falíveis e contraditórios.
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