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LITERATURA

As principais peças de Shakespeare

Romeu e Julieta, Hamlet, Macbeth... Se você ainda não leu o Bardo, conheça as principais peças e algumas célebres citações


28/10/2011 12:08
Texto Manoela Meyer e Marion Frank
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Foto: Conheça trechos extraídos de algumas das peças mais conhecidas do Bardo
Conheça trechos extraídos de algumas das peças mais conhecidas do Bardo

Para quem gostaria de entender desde já o estilo shakespeariano de escrever, o Educar para Crescer apresenta, a seguir, trechos extraídos de algumas das peças mais conhecidas do Bardo - trechos esses que servem de síntese, na opinião do professor John Milton, especialista em William Shakespeare da USP, às personagens que dão alma aos testes desenvolvidos. As traduções abaixo são de Carlos Alberto Nunes - autor de "Teatro Completo", Editora Agir, RJ, 2008 - e de John Milton.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Romeu e Julieta

Uma das mais célebres e conhecidas histórias de amor de todos os tempos, a peça foi escrita no começo da carreira do autor, no final do século 16. Na cidade italiana de Verona, duas famílias tradicionais - os Montecchios e os Capuletos - recusam-se a entrar em paz entre si. Em meio a tanto ódio, os jovens Julieta e Romeu se apaixonam e decidem se casar, contrariando suas famílias. O relacionamento proibido acaba de forma trágica, e se torna o símbolo das grandes paixões.

Julieta
(Romeu e Julieta, II.ii)

Romeu, Romeu! Ah! Por que és tu Romeu?
Renega o pai, despoja-te do nome;
Ou então, se não quiseres, jura ao menos
Que amor me tens, porque uma Capuleto
Deixarei de ser logo.

III.v.
Não é do dia aquela claridade,
Podes acreditar-me. É algum meteoro
Que o sol exala, para que te sirva
De tocheiro esta noite e te ilumine
No caminho de Mântua.

Romeu
(Romeu e Julieta, I.i.)
O amor é dos suspiros a fumaça;
Puro, é fogo que os olhos ameaça;
Revolto, um mar de lágrimas de amantes...
Que mais será? Loucura temperada,
Fel ingrato, doçura refinada.

II.ii.
Ai! Em teus olhos há maior perigo
Do que em vinte punhais de teus parentes.
Olha-me com doçura, e é quanto basta
Para deixar-me à prova do ódio deles.
Macbeth

Considerada a peça mais obscura de Shakespeare - e também a mais curta -, Macbeth foi inspirada na história real do Rei Macbeth da Escócia. Constitui-se em um intricado jogo de intrigas e traição pelo poder. O general Macbeth toma o trono escocês após ser convencido por sua própria esposa a tramar contra o rei. No entanto, passa a ser perturbado por profecias e pelo fantasma de Banquo, um general também assassinado a mando do novo rei.

Lady Macbeth (I.vii.)
Já amamentei e sei como é inefável
Amar a criança que meu leite mama;
Mas, no momento em que me olhasse, rindo,
O seio lhe tirara da boquinha
Desdentada e a cabeça lhe partira,
Se tivesse jurado, como o havéis
Em relação a isso.
II.ii
De vossa cor as mãos agora tenho;
Mas de possuir ficara envergonhada
Um coração tão branco

Macbeth (Macbeth, V.v.)
O amanhã, o amanhã, outro amanhã,
Dia a dia se escoam de mansinho,
Até que chegue, alfim, a última sílaba
Do livro da memória. Nossos ontens
Para os tolos a estrada deixam clara
De empoeirada morte. Fora! Apaga-te,
Candeia transitória! A vida é apenas
Uma sombra ambulante, um pobre cômico
Que se empavona e agita por uma hora
No palco, sem que seja, após, ouvido;
É uma história contada por idiotas,
Cheia de fúria e muita barulheira,
Que nada significa.
Otelo

Otelo é um general mouro do exército veneziano, que casa-se em segredo com a jovem branca Desdêmona. Ao promover o soldado Cássio ao cargo de tenente, preterindo Iago, seu mais antigo soldado, o general faz despontar neste uma inveja devastadora, capaz de destruir firmes relações de amizade e amor. Os temas abordados - racismo, ciúme e traição - fizeram da tragédia uma inspiração para diversos filmes, óperas e adaptações literárias.

Otelo
(Otelo, II.iii)
ii.iii
Oh! Se a escrava tivesse dez mil vidas!
Uma só será pouco, muito pouco,
Para minha vingança. Agora vejo
Que tudo era verdade.

V.ii.
Faleis de mim tal como sou, realmente,
Sem exagero algum, mas sem malícia.
Então, a alguém tereis de referir-vos
Que amou bastante, embora sem prudência,
A alguém que não sabia ser ciumento,
Mas, excitado, cometeu excessos
E cuja mão, tal como o vil judeu,
Jogou fora a pérola mais rica
Do que toda sua tribo...

Iago
(Otelo, II.i)
Assim, o Mouro
Me amará, ficar-me-á reconhecido,
E um prêmio me dará por eu ter feito
Dele um asno completo, e o ter privado
Da paz e do sossego, até nas raias
Ir bater da loucura.

III.iii
Acautelai-vos,
Senhor, do ciúme, é um monstro de olhos verdes,
Que zomba do alimento de que vive.
Vive feliz o esposo que, enganado,
Mas ciente do que passa, não dedica
Nenhum afeto a quem lhe cause o ultraje.
Mque minutos infernais não conta
Quem adora e duvida, quem suspeitas
Contínuas alimenta e ama deveras!

Desdêmona
(Otelo, I.iii)
Eu amei o Mouro, para
Viver junto com ele, é o que proclama
No mundo todo minha ação violenta.
Submeteu-se-me o coração à essência
Mesma de meu marido.

IV.iii
Em sã consciência, Emília,
Dize-me se acreditas que haja esposas
Capazes de enganar os seus maridos,
Por modos tão grosseiros?
Antônio e Cleópatra

Esta tragédia é baseada em intrigas políticas e no relacionamento amoroso de dois célebres personagens históricos: o imperador romano Marco Antônio e a rainha egípcia Cleópatra. Após receber notícias sobre os conflitos em Roma e a morte de sua esposa - Fúlvia - , Marco Antônio parte de Alexandria, onde mantinha um romance com Cleópatra. Refém de um jogo de interesses, ele descobre que desposará Otávia, irmã de Otávio Augusto. Cleópatra não aceita a notícia, e simula a própria morte como forma de trazer de volta seu amante. Desolado, o imperador se suicida. Essa é a razão para o trágico fim da rainha egípcia, que se mata com a mordida de uma víbora.

Cleópatra
(Cleopatra, I.iii)
Vede onde está, que faz, quem o acompanha.
Não vos mandei; Se virdes que está triste,
Dizei que estou dançando; se contente,
Que me vi atacada de mal súbito.

V.ii
Dá-me o manto; coloca-me a coroa.
Anseios imortais em mim se agitam.
Nunca jamais há de molhar-me os lábios
O líquido de nossa vinha egípcia.
Vamos, Iras, depressa! Só parece
Que ouço Antônio chamar-me; levantar-se
Vejo-o e elogiar meu ato valorioso.
(...)
Caro esposo, eis-me aqui! Minha coragem
Irá provar que faço jus ao título.
Sou ar e fogo; os outros elementos
Cedo à vida inferior.
Hamlet

Ainda atormentado pela morte do pai, o príncipe Hamlet se vê em um dilema após a exigência de vingança feita pelo fantasma do morto. Ele descobre que os traidores foram seu tio Claudio - irmão do rei - e sua própria mãe, a rainha Gertrudes. Mas como passar da consciência à ação? Antes de executar sua vingança, o príncipe deverá lidar com a angústia imposta por um destino impiedoso.

Hamlet

(Hamlet, II.ii)
Que obra-prima, o homem! Quão nobre pela razão!
Quão infinito pelas faculdades! Como é significativo e
admirável na forma e nos movimentos!
Nos atos quão semelhante aos anjos! Na apreensão,
como se aproxima aos deuses, adorno do mundo,
modelo das criaturas! No entanto, que é para mim
essa quintessência de pó? Os homens não me proporcionam prazer;
sim, nem as mulheres, apesar de vosso sorriso querer insinuar o contrário.

III.i
Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais Nobre para a alma: suportar os dardos
E arremessos do fado sempre adverso,
Ou armar-se contra um mar de desaventuras
E dar-lhes fim tentando resistir-lhes?

Ofélia
(Hamlet, II.i)
Estava a costurar no quarto, quando,
Descomposto, me surge lorde Hamlet,
Gibão aberto, sem chapéu, as meias
Caídas nos artelhos, e tão branco
Quanto a camisa; os joelhos lhe tremiam;
O olho, tão cheio de piedade, como
Vindo do inferno para relatar-me
Os eternos horrores.

III.i
Que nobre inteligência assim perdida!
O olho do cortesão, a língua e o braço
Do sábio e do guerreiro, a mais florida
Esperança do estado, o próprio exemplo
Da educação, o espelho da elegância,
O alvo dos descontentes, tudo em nada!
E eu, a mais desgraçada das mulheres,
Que saboreei o mel de suas juras
Musicais, ter de ver essa admirável
Razão perder o som, qual sino velho,
Essa flor sem par, a flor da idade,
Fadada pela insânia! Oh dor sem fim!
Ter já visto o que vi, e vê-lo assim!
Henrique IV (Parte II)

Esta é a terceira parte da tetralogia escrita por Shakespeare, precedida por Ricardo II e Henrique IV (Parte I) e sucedida por Henrique V. Após tomar o trono inglês do Rei Ricardo II, lidar com intrigas políticas e rebeliões, Henrique IV tem outros desafios pela frente. Seu filho, o príncipe Hal, continua frequentando tavernas obscuras com amigos questionáveis e não parece apto a assumir o trono. Além disso, o rei será confrontado por uma milícia, organizada pelo ambicioso Sir John Falstaff.

Falstaff
(Henrique IV, IV.iii)
Os jovens de temperamento muito sisudo
Jamais dão coisa que preste;
A sobriedade no beber e o excesso de peixe na comida,
De tal jeito lhes esfria o sangue,
Que caem numa espécie de anemia masculina,
Só gerando filhas após casados.
A honra não passa de um escudo na porta de um defunto...
Que é a honra? Uma palavra.
Que há nessa palavra, honra? Vento, apenas.
Noite de Reis

A Noite de Reis é tradicionalmente celebrada no dia 6 de janeiro, e nos tempos Elizabetanos, era motivo para se divertir. Por isso, nesta comédia, o emburrado Malvólio é vítima de uma brincadeira que terá consequências sérias. Paralelamente, se forma um triângulo amoroso entre a náufraga Viola - disfarçada de homem -, o duque Orsino e Lady Olívia. A trama trata de forma cômica das questões dos amores não correspondidos e das identidades falseadas.

Viola
(Noite de Reis, I.ii)

Vou servir esse duque: me apresentarei
Como eunuco para ele.
Pode valer seus esforços; pois, sei cantar e
Falar para ele em vários tipos de música
Que darão valor ao meu serviço.
Outras coisas, ao tempo, deixarei,
Mas meus pensamentos não podem ser falados.

II.iii

Enquanto homem,
estou desesperado pelo amor do meu mestre;
enquanto mulher, ai de mim! Que suspiros inúteis
fará a pobre Olívia!
Ó tempo! Desenredará isso, eu não.
É um nó difícil demais para eu desenredar.

 

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