Ganhador do Booker Prize, o mais importante prêmio literário da Grã-Bretanha, Ian McEwan, nascido em 1948, é considerado um dos principais autores ingleses da atualidade. De início influenciado pelo crítico e escritor Malcolm Bradbury, escreveu Primeiro Amor, Último Sacramento, O Jardim de Cimento e Ao Deus-Dará (The Comfort of Strangers), estes dois últimos adaptados para o cinema. Aos poucos, vai perdendo a chave satírica e certo gosto para o escabroso e o horrível, evoluindo para os temas mais nuançados, de perfeito equilíbrio entre o corte introspectivo e as implicações políticas e sociais, de seus romances da maturidade.
Bom exemplo do apuro técnico dessa nova fase é Reparação (2001), cujas 200 páginas iniciais são usadas para descrever um único dia na vida de uma família burguesa, reunida em uma casa de campo. A perspectiva é a de uma menina de 13 anos, preocupada com a montagem de uma peça de teatro que ela escreveu. É nesse dia que ocorre um evento que vai repercutir profundamente na vida de todos os personagens e cujas consequências são narradas nas duas outras partes da obra, passadas durante a Segunda Guerra e em 1999, quando a menina já se tornara uma escritora consagrada. É nessa seção final de Reparação - romance comparado a Pelos Olhos de Maisie, do americano Henry James - que o leitor percebe, em retrospectiva, o que realmente estava em jogo durante toda a narrativa. Mais do que um jogo formal, Reparação é uma meditação profunda sobre realidade e ficção, e sobre o significado da literatura.
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