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Escrever diálogos é, talvez, o maior desafio de qualquer pessoa que resolva seguir os caminhos da literatura. Aparentemente simples, o diálogo exige do autor uma precisão de cirurgião, pois, ao menor descuido, pode cair na banalidade ou no rebuscamento inverossímil. Numa literatura carente de bons estilistas nesse campo, o nome do mineiro Luiz Vilela desponta como um mestre na arte de criar diálogos em contos curtos de fabulosa eficiência narrativa.
Nascido em Ituiutaba, em 1942, Vilela formou-se em filosofia em Belo Horizonte. Trabalhou como redator e repórter do Jornal da Tarde. Lançou-se na literatura em 1967 com o livro Tremor de Terra e, de lá para cá, tornou-se referência na prosa contemporânea. Enquanto alguns autores levam tempo para aprimorar a escrita, Vilela conseguiu esse feito quando tinha apenas 24 anos. Sua estréia literária ganhou o Prêmio Nacional de Ficção, vencendo nomes consagrados como Mário Palmério, José Geraldo Vieira e Osman Lins. Vieira estava tão seguro de que ganharia o prêmio que, ao saber do resultado, teria esbravejado que o concurso servia para “aposentar autores de obra feita e premiar meninos saídos da creche”. Nessa coletânea de 20 contos, para cujo “virtuosismo técnico” chama a atenção o biógrafo Raimundo Magalhães Júnior, Vilela trabalha com os temas que vão marcar sua obra: a morte, a solidão e o amor. É autor também do romance Graça (1989) dos livros de contos O Fim de Tudo (1974) e A Cabeça (2002).
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