Duas palavras: "viva" e "vaia", escritas em disposições geométricas com duas cores alternadas. Quando foi publicado em 1972, este poema foi foco de grande polêmica. De um lado, os que o tomavam por genial. De outro, os que o consideravam um presunçoso manifesto da imbecilidade artística. A despeito da contenda, a composição tornou-se importante a ponto de Augusto de Campos empregá-la para nomear a primeira coletânea de seus trabalhos, produzidos entre 1949 e 1979.
A obra se tornou a principal na carreira do autor por sua capacidade de sintetizar alguns princípios fundamentais da poesia concreta e de atingir o impacto almejado pelo movimento concretista. No livro estão algumas das criações mais relevantes do autor. Uma delas, construída sobre a antítese entre "luxo" e "lixo", é provavelmente a mais conhecida de todas. Também fazem parte Pluvial/Fluvial, Tudo Está Dito e os popcretos, poemas feitos com recortes de textos impressos em jornais e revistas.
Ao lado de Décio Pignatari e o irmão, Haroldo, o paulistano Augusto de Campos, nascido em 1931, foi gestor da nova vertente poética que se pretendia revolucionária. Em Viva Vaia confluem Joyce, Mallarmé, Pound, Futurismo, Dadaísmo e Surrealismo, entre outras referências. Os versos deveriam ser desmantelados em suas unidades morfológicas, semânticas, sintáticas e léxicas. Para tanto, o poeta contou com o auxílio do diagramador Júlio Plaza a fim de levar a cabo os recursos visuais que julgava adequados à sociedade tecnológica e consumista que despontava no Brasil pós-45.
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