O romance Zero, do jornalista paulista de Araraquara Ignácio de Loyola Lopes Brandão, foi um dos muitos que sofreram as conseqüências da censura imposta pela ditadura militar. Concluído em 1969, foi recusado por quatro editoras e lançado inicialmente na Itália em 1974. Publicado no Brasil no ano seguinte, foi proibido em 1976 pelo Ministério da Justiça, do então presidente Ernesto Geisel. A obra só seria liberada em 1979, com o abrandamento do regime. Verdadeiro pastiche urbano com altas doses de humor, política e erotismo, o livro espantou a crítica. Em seguida encantou o público por sua forma desabusada e irreverente. Segundo o autor, o romance tem "muito cara de São Paulo: caótico, desorganizado, cheio de slogans publicitários, frases de outdoor, exclamações populares, música, sujeira, barulho, religiões misturadas, assaltos, violência, chuva, gente feia, personagens medíocres. Um beco sem saída". Em linhas gerais conta a relação "triste, sem grandeza, sem amor" entre a auxiliar de lanchonete Rosa e o desempregado José. Envolve-os uma urbe cinza, "cidade da especulação imobiliária, da falta de respeito para com o ser humano, de gente comendo gente", completa.
Nascido em 1936, autor de mais de 20 livros, entre romances, coletânea de contos e crônicas, Brandão é um dos escritores contemporâneos brasileiros mais difundidos no exterior, com obras publicadas na Itália, nos Estados Unidos, na França, em Portugal. Seu primeiro romance, Bebel que a Cidade Comeu, saiu em 1968. Também lançou Não Verás País Nenhum (1981) e A Veia Bailarina (1997).
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