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POLÍTICA PÚBLICA

Rio de Janeiro: aprender bem e na idade certa

É a prioridade em curso pela secretaria de educação carioca, que vem corrigindo distorções e qualificando o ensino municipal desde 2009


25/02/2015 18:59
Texto Marion Frank
Educar
Foto: educacao rio de janeiro educar para crescer
Priorizar a capacitação do professor, investir na realfabetização e criar um currículo único foram algumas das medidas tomadas para melhorar a Educação no Rio de Janeiro

Na Prova Brasil de 2013, de resultados divulgados no ano passado, a cidade do Rio de Janeiro ficou em 5º lugar, entre as capitais, do 1º ao 5º ano e, em 6º, do 6º ao 9º ano. Como avaliar esse desempenho? De fato, ele chega a chamar a atenção ao se levar em conta que a principal queixa ouvida por Claudia Costin, em 2009, ao assumir a secretaria de educação daquela cidade, era a de que as crianças simplesmente "não estavam aprendendo".

Naquele ano, 14% das 28 mil crianças matriculadas nos 4º e 6º anos das escolas públicas cariocas não sabiam ler e escrever - 17 mil, só no 6º ano; e 40% dos alunos que não eram analfabetos apresentavam déficit grave de Matemática. "Foi um choque porque era o Rio de Janeiro!", lembra Claudia. Havia ainda grande incidência (25%) de reprovação no 6º ano - por quê? "É na passagem do 5º ao 6º ano que as crianças, ainda novinhas, passam a conviver com até oito professores ao invés de um... Mudança drástica, que causa reprovação em massa", explica a atual secretária, Helena Bomeny (e que foi, na gestão de Claudia Costin, seu braço direito).

Para corrigir essas distorções, uma autêntica operação de guerra vem sendo desde então colocada em prática. Da capacitação dos professores à adoção de um currículo único, com material de sala de aula preparado pelo próprio professor, afora a criação do "Sexto ano experimental", que dá continuidade ao modo de trabalhar do 5º ano. Para Mozart Neves Ramos, do Instituto Ayrton Senna (que elaborou programas para o combate ao analfabetismo nas primeiras series, entre outros), "a aprendizagem de Matemática e Língua Portuguesa vem avançando bastante com o esforço governamental - em Matemática, para citar um exemplo, 22% dos alunos do 5º ano tinham aprendizagem adequada em 2007; em 2009, 43% e, em 2011, 52%", destaca. Um crescimento que serve de estímulo ao trabalho em marcha por Helena Bomeny, "... e que é baseado em dois pilares, a equidade e a sustentabilidade", realça.

Saiba de que forma essa filosofia tem se mostrado presente no dia a dia do ensino público carioca, seus avanços e desafios.

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Priorizar a capacitação do professor
Com tanto aluno sem saber ler nem escrever no 4º e no 6º anos, era claro que existia uma grave deficiência na alfabetização inicial. Por isso, em 2009, foi iniciado um programa de capacitação especial dos professores, com currículo claro e material estruturado para assegurar a alfabetização no 1º ano. "Inclusive a pré-escola ganhou um currículo próprio, preparado com a ajuda de Magda Soares, uma campeã em alfabetização", revela Claudia Costin. Mais: foi aberta a Escola de Formação do Professor Carioca Paulo Freire, no centro da cidade, "... onde o nosso professor frequenta um curso de 70 h sobre o currículo da rede de ensino, como ela funciona, práticas de sala de aula etc.", detalha Helena Bomeny.
2. Investir na realfabetização e acelerar o aprendizado dos mais velhos
Com o auxílio do Instituto Ayrton Senna, a gestão de Claudia Costin colocou em prática os programas "Se Liga" e "Acelera Brasil" - respectivamente, para realfabetizar os alunos dos primeiros anos e corrigir a repetência que gera a distorção entre a idade e a série que o aluno frequenta (no 6º ano, em razão das reprovações, 22% das crianças tinham dois anos ou mais da idade correta). E, a título de reforço escolar em Matemática e Língua Portuguesa para os alunos mais velhos, o "Fórmula da Vitória", acelerando o aprendizado. Ou seja: entre 2009 e 2014, 78 mil crianças e jovens foram atendidos por ações dessa parceria - que, no caso dos programas "Acelera Brasil" e "Fórmula da Vitória", continuam em vigor na rede de ensino da cidade.
3. Criar um currículo único em nome da equidade
Para garantir a mesma oferta de ensino a todos os alunos da rede pública carioca, em complementação aos livros didáticos, foram elaborados cadernos com a participação dos professores, "o que serviu de oportunidade de desenvolvimento profissional e de conquista de autoestima", avalia Claudia Costin; e plataformas digitais, com detalhamento aula a aula das disciplinas, inclusive de Educação Física e Inglês, para projeção em sala de aula. A disciplina de Artes passou a fazer parte do currículo antes do 6º ano, "... por ser fundamental para melhorar a aprendizagem de uma criança, sobretudo no que diz respeito à forma de se expressar", reforça Claudia. Os resultados dessas mudanças são significativos - em 2014, por exemplo, o índice de analfabetismo entre a 4ª e a 6ª séries foi de 2,5% (contra 14%, em 2009). Helena Bomeny, que assumiu a secretaria em 2014, com a saída de Claudia Costin para o Banco Mundial, reforça: "Uma de nossas grandes apostas, além do currículo anual, está na realização de provas bimestrais de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências e Redação com todos os alunos - elas servem de fato para avaliar como os professores andam lidando com o nosso currículo".
4. Experimentar mudanças curriculares - e, em caso de êxito, replicar
Em 2010, teve início o "Sexto Ano Experimental", com aulas a cargo de um só professor - ao contrário dos até oito professores que faziam parte do cotidiano escolar de quem passava do 5º ao 6º ano, mudança de rotina de efeitos muitas vezes negativos para quem tem pouca idade. Resultado? "Fizemos uma avaliação externa em 2013 com todos os alunos dos 6º anos e comprovamos que os do curso experimental apresentaram um rendimento quase 50% acima daqueles do 6º ano regular", informa Helena Bomeny. Em consequência, o "Sexto Ano Experimental" vai se tornar projeto de lei para ser apresentado à Câmera dos Vereadores e mudar, ainda este ano, a organização do ensino carioca.
5. Trabalhar apenas com professores concursados em regime de turno único
Desde 2011, o professor carioca, que passou por um concurso, trabalha 40 h por semana, fixo em um único endereço. "Isso ajuda a criar um vínculo com os alunos e a comunidade escolar", garante Helena. Essa mudança resultou em escolas de turno único, funcionando 7 horas por dia. "O desafio é atingir com a oferta de turno único 100% da população até 2016 - hoje, alcançamos 90%, por exemplo, no tocante à pré-escola", diz a secretária. E, para alcançar esse objetivo, "... vamos não só construir mais escolas como também oferecer mais vagas de professor", garante.
6. Dar garantias às escolas de modo a que consigam trabalhar de modo sustentável
Da gestão de Claudia Costin à de Helena Bomeny, a ideia em prática é a mesma: acompanhar o dia a dia da escola, junto da direção e da equipe, detectando os pontos fortes e fracos. "E trabalhar no que for necessário para dar segurança e autonomia de modo a que ela desenvolva um projeto pedagógico e faça um bom trabalho com os alunos", sintetiza Helena. A violência do Rio de Janeiro, claro, interfere, sobretudo em dias parados de aula "e não na qualidade", ressalta Helena, "porque temos diretores fantásticos, que sabem lidar com essa situação e onde o aprendizado continua qualificado". Entretanto, o desafio persiste - e a secretaria mantém ativo um grupo de psicólogos e assistentes sociais que, em zonas de conflito, dá assistência ao professor "trabalhando o lado emocional, inclusive com os pais e alunos", diz Helena.
7. Tornar a escola pública conhecida pela sua competência
Crise econômica ou não, o fato é que já se faz notar, este ano, um aporte grande de alunos da rede privada para a pública da cidade do Rio de Janeiro. Qual o maior desafio? "É dar educação de qualidade com equidade, uma rede onde os alunos aprendem bem e na idade correta", resume Helena sobre a marca que deseja imprimir na sua gestão, que expira em 2016. A esse respeito, ela diz que está no meio do caminho.

 

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