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Jorge Gerdau Johannpeter, 71 anos, poderia ter se aposentado em 2006, quando passou a presidência do Grupo Gerdau ao seu filho André. Mas não: sua vontade de mudar a realidade brasileira o impediria de se afastar do trabalho. Desde então, ele, que é considerado um dos maiores empreendedores do país, tem se articulado no sentido de levar à gestão pública a eficiência da gestão empresarial moderna. Para tanto, fundou o Movimento Brasil Competitivo e participa de outras iniciativas do ramo, como a Ação Empresarial. Mantém contato constante com governantes e outros empresários-chave do cenário brasileiro. Sua força de vontade é admirável. "Ter a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento do país é, seguramente, um grande desafio e uma grande responsabilidade", diz.
Casado, pai de cinco filhos e morador de Porto Alegre, o empresário ainda preside o Conselho de Administração do Grupo Gerdau. Este conglomerado siderúrgico, fundado no Brasil por seu bisavô há mais de um século, está presente hoje em 14 países e é o 13º maior produtor de aço do mundo, além de liderar o segmento de aços longos nas Américas. Como instituição, apóia iniciativas sociais e investe em mais de 90 projetos de Educação. Em 2007, esses investimentos chegaram a R$ 72,7 milhões. Gerdau, o cidadão, também se dedica a essa bandeira ocupando a presidência do movimento Todos pela Educação.
Na entrevista a seguir, Gerdau comenta sobre o engajamento do Grupo e expõe seus pontos de vista a respeito da Educação.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. Quais são as principais iniciativas educacionais do Grupo Gerdau?
- A Gerdau foca seu investimento social em Educação por meio do Instituto Gerdau, que coordena e operacionaliza os investimentos no Brasil. São apoiados 26 programas em quatro diferentes frentes: qualidade, empreendedorismo e competitividade, cultura e esporte e Educação ambiental.
- 2. Por que o Grupo Gerdau investe tanto em Educação?
- Acreditamos que o investimento em Educação seja essencial para desenvolver cidadãos com oportunidades iguais e aptos para exercer a liberdade de forma responsável. Por isso, os investimentos na qualidade da Educação representam a maior parcela dos recursos destinados pela empresa à sociedade
- 3. Municípios e estados investem o suficiente na Educação?
- A questão do investimento deve ser tratada conjuntamente com a gestão escolar. É fato que o Brasil ainda investe menos na Educação básica que outros países latino-americanos, como Argentina, Chile e México. Entretanto, não adiantará ampliar o atual investimento sem profissionalizar a gestão. É importante reconhecer o mérito e o desempenho escolar. Por isso, o Todos Pela Educação, movimento da sociedade civil que tenho o orgulho de presidir, entende que o Brasil deva investir 5% do PIB na Educação Básica, mas que os recursos sejam bem geridos, o que requer gestores escolares preparados e qualificados.
- 4. Onde está a maior lacuna na Educação brasileira?
- O grande desafio da Educação brasileira é a qualidade em escala. O Brasil ocupa a 15ª posição no ranking de produção científica mundial e forma 10 mil doutores por ano, uma posição de liderança na América Latina. Entretanto, apenas 13% da totalidade dos jovens entre 18 e 24 anos estão freqüentando o ensino superior, que é considerado de qualidade. Na Educação básica, por outro lado, colocamos as crianças na escola, mas temos uma qualidade muito ruim, demonstrada pelo fraco desempenho brasileiro no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).
- 5. O ensino profissionalizante recebe a atenção necessária no Brasil?
- Atualmente, o Brasil começa a dar maior atenção ao ensino técnico e profissionalizante. Entretanto, o Censo de Educação Profissional mostra que temos apenas 700 mil jovens nessa modalidade de ensino, o que ainda é pouco considerando que o país precisa urgentemente de mão-de-obra qualificada para dar conta do atual crescimento econômico. É preciso ampliar as vagas, e isso pode ser feito integrando o ensino profissionalizante ao ensino médio regular e criando mais escolas de tempo integral.
- 6. Há mão-de-obra qualificada para o trabalho na indústria brasileira?
- A mão-de-obra qualificada precisa ser ampliada para acompanhar o crescimento econômico do país. E a universidade tem um papel de extrema relevância nesse cenário. Para sobreviver e prosperar num ambiente competitivo, as empresas têm de apresentar desempenho de classe mundial. Quer na formação de pessoal altamente qualificado, quer gerando conhecimento de vanguarda por meio de pesquisa, é nos centros acadêmicos que buscamos o conhecimento que será transformado em vantagem competitiva pelas empresas.
- 7. A Educação influencia diretamente o desenvolvimento industrial?
- A Educação é o único vetor que pode alinhar o desenvolvimento econômico com o social. Vivemos na sociedade do conhecimento e qualquer setor produtivo do mundo só irá prosperar com pessoas qualificadas e bem formadas, em última análise, com Educação de qualidade.
- 8. O empresariado pode influenciar o destino da Educação?
- Cada vez mais o setor empresarial participa da melhoria da qualidade da Educação, seja por meio de institutos e fundações, via o princípio de co-responsabilidade social, ou por meio da oferta de programas educacionais, que incluem desde projetos de alfabetização até a melhoria da qualidade do Ensino Médio.
- 9. E a sociedade civil como um todo, como pode melhorar a Educação?
- A sociedade civil precisa discutir cada vez mais a qualidade da Educação. É preciso criar a demanda para que haja uma boa oferta. O Todos Pela Educação é um exemplo de ação da sociedade civil, da iniciativa privada, de organizações sociais, de educadores e de gestores públicos.
- 10. O que é o movimento Todos pela Educação?
- Trata-se de uma aliança que tem como objetivo garantir Educação básica de qualidade para todos os brasileiros até 2022, bicentenário da Independência do País. O Todos Pela Educação não é um projeto de uma organização específica, é um projeto de nação. É uma união de esforços, em que cada cidadão ou instituição é co-responsável e se mobiliza, em sua área de atuação, para que todas as crianças e jovens tenham acesso a uma Educação de qualidade.
- 11. O que seria Educação de qualidade?
- Educação de qualidade significa aprendizado e desenvolvimento suficientes para transformar crianças e jovens em cidadãos, preparados para serem protagonistas do futuro. A qualidade na Educação pressupõe a valorização de valores éticos e morais aliados ao valor do conhecimento específico na formação plena de cada pessoa.
- 12. As perspectivas para a Educação brasileira são otimistas?
- Sim, as perspectivas são otimistas. O Brasil tem hoje metas de qualidade para a Educação bem definidas e tem prazo estabelecido para alcançá-las: o ano de 2022. Hoje, é possível saber como está cada escola do Brasil por meio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede desempenho e fluxo escolar. Os dados da última avaliação mostram claramente uma melhora nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Porém, ainda precisamos avançar muito.
- 13. Qual país é modelo no que diz respeito à Educação?
- A Finlândia, mesmo sendo um país de dimensões geográficas bem menores do que o Brasil e sem dificuldades socioeconômicas relevantes, tem nos mostrado porque lidera o ranking da Educação mundial, como revelam os dados do PISA: investe fortemente no professor, começando pelo ingresso na universidade, onde só os 5% melhores alunos são selecionados para ingressarem na carreira. Assim, há um rígido processo de escolha daqueles que irão formar as crianças e jovens finlandeses. Os professores são valorizados e bem remunerados, especialmente nos anos iniciais da carreira. Além disso, na Finlândia, as escolas são todas muito boas na sua infra-estrutura e nos resultados. Uma escola na Lapônia não difere, em seu desempenho e infra-estrutura, de uma escola de Helsinque.