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Presidente executivo do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos foi reitor da Universidade Federal do Pernambuco por oito anos e Secretário de Educação de Pernambuco. É membro do Conselho Nacional de Educação CNE e Quando estava na universidade, gostava muito de Bertrand Russell, era fascinado por Filosofia da Ciência. Depois veio a paixão por Dostoiévski. Mozart Neves Ramos não titubeia ao afirmar que tanto um quanto o outro foram decisivos na sua formação. Mozart não está se referindo, apenas a sua formação acadêmica como engenheiro químico, mas principalmente ao que chama de formação cidadã. Nascido no Recife antigo ele se considera um privilegiado pelas oportunidades que teve. Ter estudado no Colégio São Bento, em Olinda, que abrigou a primeira faculdade de Direito do Brasil, está entre elas. Mas não é do tipo que agradece e muda de assunto. Educação é sua paixão e sua causa. Aos 48 anos, Pós-doutor pelo Instituto Politécnico de Milão, foi reitor da Universidade Federal do Pernambuco por oito anos e Secretário de Educação de Pernambuco. É membro do Conselho Nacional de Educação - CNE; professor da graduação, orientador de iniciação científica, de mestrado e de doutorado na área de química computacional da mesma Universidade que também o formou. Soma mais de uma centena de artigos publicados em revistas científicas internacionais. Recém-chegado a São Paulo e prestes a voltar para o Recife, como acontece todas as semanas, Mozart me recebeu na sede do Todos Pela Educação, instituição da qual é presidente. Esperei por cerca de 10 minutos. O motivo? Mozart estava conversando com alunos que queriam se envolver com os projetos do Todos Pela Educação. Depois disso, conversamos por quase 4 horas sobre educação brasileira.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. O que Educação significa para o senhor?
- Mozart Neves Ramos: Mudança. Significa a possibilidade de transformar o Brasil em um país melhor. Estudei no colégio São Bento de Olinda, tive toda uma formação beneditina. A educação básica foi muito importante para moldar minha atitude cidadã. Grande parte da paixão que tenho pela Educação é a certeza de que a oportunidade que tive não pode terminar em mim. A sociedade brasileira está enfrentando problemas estruturais específicos que têm uma base comum que é a Educação. Se oferecermos uma Educação de qualidade para nossas crianças e nossos jovens, começaremos a mudar o país. Se não fizermos esse dever de casa agora, vamos sacrificar mais uma geração. Não é uma questão de quatro anos, é uma geração inteira. Hoje apenas uma pequena parte da sociedade tem direito à Educação que deveria ser de todos. Essa minha paixão pela Educação passa por essa compreensão de que esse é um grande desafio que vai desde a Educação básica até o ensino superior, mestrado, doutorado. É o desafio de formar gente, porque gente qualificada é que faz a diferença. Gente com formação cidadã é o que faz diferença em um país.
- 2. Qual o problema da educação no Brasil?
- Mozart Neves Ramos: A Educação é um problema no mundo todo. Ainda existem muitas crianças analfabetas, muitos jovens e adultos que estão passando sua vida sem alfabetização. É inadmissível que em um mundo em que o conhecimento é fator competitivo tenhamos um país tão desigual. Somos, no mundo, mais de uma centena de países mas, são 10 os países protagonistas da produção científica mundial. O Brasil detém apenas 2% e ocupa a 15ª posição. Estamos começando a ter uma atitude nova. Acompanhei um seminário que houve no Rio de Janeiro no fim do ano passado: Brasileiros no Mundo. Quando fui reitor da Universidade Federal de Pernambuco fiz uma parceria, com empresas, para mandar jovens pernambucanos estudarem integralmente na Europa, toda a graduação. Esse é considerado até hoje o maior programa de intercâmbio da graduação completa no exterior. Não vejo o mundo com conceito de países, vejo um mundo sem fronteiras. A atitude tem de ser global hoje. Precisamos encontrar uma forma nova de pensar para encontrar soluções criativas para os problemas estruturais que ainda temos que resolver. Nosso objetivo não é a faculdade, nem o professor, nosso foco é o aluno. E quando se pensa no aluno precisa-se de uma atitude que seja de fato para o aluno e não uma atitude para a universidade ou para o professor. Quando se atinge o aluno, o professor e a instituição saem ganhando.
- 3. Porque o senhor escolheu ser químico?
- Mozart Neves Ramos: Como a maioria dos alunos que aprendem a química fazendo reação no quadro negro, eu não gostava de química no ensino médio. E química é uma ciência experimental. Eu gostava muito de física e de matemática, mas, como todo jovem que trinta anos atrás queria entrar no ensino superior, eu tinha três caminhos: ou direito, ou medicina, ou engenharia. Então escolhi engenharia. Qual? Na época eu namorava uma menina e o tio dela era engenheiro químico, ele me convenceu. Mas como foi uma decisão muito mais induzida do que consciente, fiquei com medo (risos). Tanto que fiz, ao mesmo tempo, engenharia civil na Universidade Católica. F