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PREVENÇÃO

Por que é importante vacinar sua filha contra o HPV

Campanha de vacinação pública tem como foco meninas de 9 a 11 anos, mas vacinação é importante para outras faixas etárias e também para os meninos


10/03/2015 17:36
Texto Luciana Fleury
Educar
Foto: Claudia Marianno
Foto:
Vacina protege contra os tipos de HPV responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero

A batalha em massa contra o HPV continua. Antes disponível apenas na rede particular, a vacina contra o vírus que está associado ao surgimento do câncer do colo de útero (e em outras regiões genitais) é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em postos de saúde e em campanhas de vacinação que percorrem escolas públicas e privadas. O esforço inicial foi realizado em 2014, com foco em meninas entre 11 e 13 anos; em 2015, a faixa etária é entre os 9 e 11 anos; e a partir de 2016, a ação ficará restrita às meninas de 9 anos, com a vacina fazendo parte do calendário de vacinação do Ministério da Saúde.

Por ser uma doença transmitida por contato sexual, muitos pais reagem inicialmente mal à ideia de ver meninas de apenas 9 anos sendo vacinadas, como se isso as credenciassem para iniciar a vida sexual. Uma bobagem muito perigosa, segundo afirma a pediatra Isabella Ballalai, Presidente da Comissão de Revisão de Calendários e Consensos da SBIm (Associação Brasileira de Imunizações). "Ninguém inicia sua vida sexual só porque tomou uma vacina. Os pais precisam lembrar dos motivos que levaram eles próprios a iniciarem suas vidas sexuais, que é a descoberta da sexualidade, uma coisa absolutamente natural", afirma. Deixar de dar a vacina como forma de garantir um "adiamento" do início da vida sexual é expor a filha a uma doença seríssima. Além do que, não faz nenhum sentido. "Basta dizer que poucos dias depois do nascimento o bebê tem de ser vacinado contra Hepatite, uma doença transmitida sexualmente e pelo compartilhamento de seringas usadas para se injetar drogas. Algum pai não vacina seu filho contra a Hepatite só porque imagina que ele não irá consumir drogas ou deixa para vacinar quando adulto, já que ele não iniciará sua vida sexual tão cedo? É preciso vacinar porque o vírus da Hepatite circula entre nós, seus efeitos são terríveis e temos uma forma de prevenir esta doença. Simples assim".

Além de ficar longe deste preconceito tolo, os pais devem estar atentos e se informar se suas filhas receberam a vacina a que têm direito, verificando quando a campanha será realizada na escola, confirmando que a adolescente recebeu a dose prevista. Caso contrário, o melhor é levar ao posto de saúde mais próximo e garantir a imunização. Como, na rede pública, o intervalo entre as três doses é alto (a segunda seis meses depois da primeira e a terceira só depois de cinco anos) é preciso também ficar de olho para que não se perca o prazo recomendado para os reforços.

A pediatra Isabella Ballalai explica as principais dúvidas sobre o HPV e a vacina contra este vírus. Acompanhe:

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que é o HPV?
Isabella Ballalai : HPV é o nome genérico do papilomavírus humano, um vírus que pode provocar a formação de verrugas na pele, regiões anal, genital e na uretra e também na boca.
2. Como se dá o contágio do HPV?
Isabella Ballalai : Pelo contato da pele com a pele de alguém infectado e por relação sexual. É importante saber disso porque é possível se contaminar mesmo sem a penetração. Há o registro, na literatura médica, de meninas virgens contaminadas pelo HPV.
3. Por que é importante vacinar contra o HPV?
Isabella Ballalai : Porque o HPV é a causa de cânceres no colo do útero, vulva, vagina, pênis ânus e boca. Estima-se que 80% da população sexualmente já teve ou terá contato com o vírus em algum momento de sua vida.
4. Alguns pais temem que vacinar suas filhas contra o HPV possa passar a impressão de que eles "concordam" que elas iniciem sua vida sexual ou mesmo que isso irá incentivá-las a isso. Esta é uma preocupação pertinente?
Isabella Ballalai : De forma alguma. Ninguém inicia sua vida sexual só porque tomou uma vacina. Os pais precisam lembrar dos motivos que levaram eles próprios a iniciarem suas vidas sexuais, que é a descoberta da sexualidade, uma coisa absolutamente natural. E porque isso só serviria para a vacina do HPV? Basta dizer que poucos dias depois do nascimento o bebê tem de ser vacinado contra Hepatite, uma doença transmitida sexualmente e pelo compartilhamento de seringas usadas para se injetar drogas. Algum pai não vacina seu filho contra a Hepatite só porque imagina que ele não irá consumir drogas ou deixa para vacinar quando adulto, já que ele não iniciará sua vida sexual tão cedo? É preciso vacinar porque o vírus da Hepatite circula entre nós, seus efeitos são terríveis e temos uma forma de prevenir esta doença. Simples assim.

Por outro lado, os pais precisam acordar para o mundo e perceber que este tipo de pensamento, de fechar os olhos para a sexualidade dos filhos, é que está fazendo com que se aumente o número de gravidez precoce e da incidência de doenças sexualmente transmissíveis entre crianças e adolescentes. Ficar fingindo que não acontece é a pior postura.
5. O que os pais devem falar para suas filhas quando a levarem para tomar a vacina de HPV?
Isabella Ballalai : Simplesmente dizer que a estão levando para tomar uma vacina que a protegerá do câncer de colo de útero, uma doença muito séria.
6. Quem foi diagnosticado com HPV terá câncer no futuro?
Isabella Ballalai : Não necessariamente. Na grande maioria dos casos, o vírus não se manifesta clinicamente, a pessoa infectada não apresenta nenhum sintoma e a doença regride espontaneamente. Existem mais de 100 tipos de HPV que infectam o ser humano, cerca de 40 deles infectam o trato genital e somente entre 1% e 2% destes tipos são oncogênicos, ou seja, com potencial para causar câncer. Vale lembrar também que a doença passa por vários estágios até se tornar um câncer. O vírus pode ficar latente durante anos e o desenvolvimento do câncer pode levar 10 a 20 anos. Por isso é importante a realização dos exames preventivos, como o Papanicolau para análise se existem lesões e, caso existam, em qual estágios elas se encontraram e intervir se for preciso.
7. A vacina protege contra todos os tipos de HPV?
Isabella Ballalai : Não. A vacina oferecida pela rede pública protege apenas contra quatro tipos (6, 11, 16 e 18), que são os mais comuns. Os tipos 16 e 18 são os responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero, já os 6 e 11 provocam verrugas genitais. Como não é viável combater todos os tipos, o mais lógico é atacar aqueles de maior incidência. Na rede privada, é possível encontrar a vacina quadrivalente e também uma que só combate os tipos 16 e 18.
8. Quem deve tomar a vacina?
Isabella Ballalai : A vacina é indicada para todas as faixas etárias e para ambos os sexos. A vacina está sendo disponibilizada gratuitamente na rede pública para meninas entre 9 e 13 anos de idade, pois para melhor impacto de uma política pública o ideal é vacinar quem teve menos chance de exposição ao vírus. Mas a recomendação é que, os pais que puderem pagar as doses na rede privada vacinem seus filhos mesmo acima dos 13 anos e até os 26 anos. Quem estiver acima desta idade, vale conversar com um ginecologista e avaliar a pertinência de se vacinar, mesmo quem tem histórico de ter sido contaminado pelo HPV e tratado, isto porque a pessoa pode ter sido contaminada por outro tipo de vírus e não pelos tipos cancerígenos prevenidos pela vacina, além da vacina ajudar a evitar a reincidência.
9. Meninos e homens também deveriam tomar a vacina?
Isabella Ballalai : Sim. Novamente, o foco prioritário das campanhas são as meninas e mulheres pela maior incidência de câncer de colo útero do que o de pênis, por exemplo. Mas os meninos e homens deveriam se vacinar para evitar se contaminar e transmitir o vírus. Alguns países, como a Austrália, adotam a vacinação de ambos os sexos.
10. Mesmo quem não é mais virgem deve tomar a vacina?
Isabella Ballalai : Sim. Apesar da alta presença do vírus, a perda da virgindade não significa necessariamente o contato com ele, então a vacina é mais do que recomendada.
11. Quantas doses devem ser tomadas?
Isabella Ballalai : Tanto a rede pública quanto a privada estão trabalhando com o esquema de vacinação de três doses. O que muda é o tempo de distância entre as doses. No caso da rede pública, a segunda dose deverá ser tomada seis meses depois da primeira e a terceira, cinco anos depois da primeira. Já a rede privada orienta que se tome uma dose a cada três meses (ou seja, a primeira dose na data escolhida, a segunda três meses depois e a terceira três meses depois da segunda).
12. A vacina tem efeitos colaterais?
Isabella Ballalai : A vacina é segura. A questão é que as pessoas se vacinam e se acontece alguma coisa com a saúde delas após isso, a tendência é "culpar" a vacina. No entanto, não foram registrados efeitos colaterais relacionados diretamente à vacina. Não se conseguiu encontrar nenhuma relação, nem teórica, entre a vacina e infertilidade, como se chegou a comentar. Casos práticos, então, são inexistentes. Nos Estados Unidos, Austrália e México, onde a vacinação em massa contra o HPV é feita desde 2006, não se observou qualquer aumento nos casos de infertilidade ou outro problema desde então.
13. A vacina pode causar a contaminação pelo HPV?
Isabella Ballalai : Não. Para se produzir a vacina, usa-se uma proteína da cápsula do vírus, cujo DNA é idêntico ao vírus. Assim o corpo cria os anticorpos para combater o vírus, mas sem ter qualquer contato com o vírus vivo. Ou seja, não há como a vacina ser responsável pelo desenvolvimento a doença.
14. Se a pessoa estiver doente ou gripada deve tomar a vacina?
Isabella Ballalai : Não há restrição para tomar a vacina. Ela só não é indicada para grávidas e isto porque não foram realizados testes para comprovar o efeito da vacina no bebê. Se a gravidez ocorrer no período entre as doses previstas, deve-se esperar o parto para só então seguir com a vacinação.
15. Quanto tempo dura a proteção da vacina?
Isabella Ballalai : Por pelo menos dez anos.
16. A vacina cura quem está infectado pelo HVP?
Isabella Ballalai : Não. Quem está infectado pelo vírus deve procurar um ginecologista ou um urologista para avaliar qual tratamento deve ser seguido.
17. Toda verruga genital é HPV?
Isabella Ballalai : Sim. Qualquer verruga que apareça na região genital é um sintoma da infecção por HPV. Nas mulheres podem aparecer no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perineal, perianal e ânus. Em homens podem surgir no pênis (normalmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus. Essas lesões também podem aparecer na boca e na garganta em ambos os sexos.
18. Quem tomar a vacina não precisa mais fazer o Papanicolau e os outros exames periódicos?
Isabella Ballalai : Precisa, sim. A vacina só protege contra quatro tipos do HPV. É preciso continuar os exames para a detecção do contágio por outros tipos.
19. A vacina torna desnecessário o uso de camisinha nas relações sexuais?
Isabella Ballalai : De jeito nenhum. A vacina protege apenas quatro tipos do HPV. O preservativo é uma maneira eficaz de se proteger dos outros tipos e de várias outras doenças sexualmente transmissíveis como a AIDS, hepatite, sífilis e muitas outras.

 

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