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Instituto Unibanco foca ações contra evasão escolar

Programas estão em 190 escolas do Sul, Sudeste e em Brasília e recebem mais de 16 milhões de reais de investimentos


18/06/2009 21:54
Texto Patricia Cerqueira
Educar
Foto: Edu Lopes
Foto: Unibanco
Wanda Engel é superintendente executiva do Instituto Unibanco e conselheira do Educar para Crescer

Os altos índices de evasão escolar no ensino médio são entraves para o desenvolvimento da Educação brasileira. Dos 3,6 milhões de alunos que ingressam no primeiro ano dessa etapa da Educação básica Ensino só metade chega ao final do curso, segundo o Ministério da Educação (MEC). Comprometido em colaborar para o fim do problema da evasão escolar, o Instituto Unibanco, criado em 1982, optou por focar sua atuação nos jovens mais pobres, que enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho, a partir de 2002. "Descobrimos que o jovem não consegue entrar no mercado formal de trabalho porque tem nível educacional ruim", diz Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco. Segundo ela, os números do desemprego na juventude são grandes, mas os mais afetados são os jovens com ensino médio incompleto: "Não nos interessa ficar para sempre na escola. Queremos influenciar políticas públicas e replicar nossos projetos". 

Um dos projetos mais conhecidos, o Entre Jovens, treina universitários para desenvolver tutorias para adolescentes defasados em português e matemática. Assim, une duas pontas do intrincado sistema educacional brasileiro. "Nesse programa, treinamos universitários que desejam ser professores, mas desconhecem a vida real, e ensinamos garotos que estão a um milímetro de abandonar a escola", diz Wanda Engel. 

Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que o Instituto Unibanco faz?
Desenvolve projetos para combater a evasão escolar no Ensino Médio. Os principais são o Entre Jovens e o Jovem do Futuro, que juntos devem atingir 190 escolas no Sul, Sudeste e em Brasília e beneficiar quase 140 mil alunos. "A gente tem uma ideia e testa no Centro de Estudos de Tomas Zinner, do Instituto. Depois, ampliamos para 20 escolas públicas, testando o princípio da expansão desses programas. Se tiver bons resultados, levamos para mais Estados. Mas desde o começo chamamos o Estado para serem sócios e aprenderem, fazendo com a gente. Vamos primeiro no governador, depois no secretário de Educação, até chegar na escola. E só entramos se ela quiser", explica Wanda Engel, superintendente executiva do Instituto Unibanco.

No projeto Entre Jovens, universitários atuam como tutores de estudantes do ensino médio, dando aulas de reforço de português e matemática aos sábados, nas escolas participantes. Os horários são definidos por cada escola. Antes do início das aulas, aplica-se uma avaliação nos moldes do Sistema de Avaliação Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Esse exame é um raio-x exato das defasagens de cada aluno. A partir daí, os tutores desenvolvem um plano individual de tutoria, que será aplicado por 6 meses. Cada tutor recebe 250 reais por mês, além de treinamento e material didático. Seu compromisso é ensinar tudo o que cada garoto não conseguiu aprender em 6 meses. Um estudante de pedagogia é contratado para fazer a gestão desse programa. Sua função é acompanhar a freqüência dos alunos ( que devem comparecer a no mínimo 70% das aulas) e monitorar os resultados alcançados pelos tutores (50% dos estudantes tem que melhorar). "Nesse programa, treinamos universitários que desejam ser professores, mas desconhecem a vida real, e ensinamos garotos que estão a um milímetro de abandonar a escola.", diz Wanda.

No Jovem de Futuro, funcionários do instituto, em parceria com ONGs, vão à escolas para ajudar a direção a elaborar projetos de melhora no rendimento dos alunos e na diminuição os índices de evasão escolar. A parceria dura três anos, tempo em que os gestores escolares aprendem a melhorar seus processos de gestão e saibam quais são as possibilidades de como conseguir dinheiro dentro e fora do sistema. "Queremos, por meio de apoio técnico e financeiro, colaborar na melhora da concepção, implantação e avaliação de um plano de melhoria de qualidade. Investimos 10% do que o Estado investe, mas, basicamente, naquilo que ele não pode, que é no sistema de incentivo. São papéis complementares. Depois do primeiro ano, se a escola não melhorou os índices de desempenho escolar, sai do programa", diz Wanda.

O Instituto também financia ONGs que trabalham com a Lei do Aprendiz, preparando a garotada para estagiar no banco. As ONGs dão prioridade para os alunos das escolas onde o Instituto atua. Essa possibilidade de inserção no mercado de trabalho se relaciona com a construção de visão de um futuro defendida por Wanda. "A pobreza é a ditadura do presente e risca da vida dos pobres a possibilidade de projetar o futuro. A pobreza só permite que as pessoas vivam no presente, que consigam agora o que deveriam ter comido há duas horas atrás. E, quando não se tem a chance de programar o amanhã nada vale a pena nem o outro nem o meio ambiente", diz ela.
2. Quanto gasta?
Juntos, os dois principais programas do Instituto Unibanco - Jovem de Futuro e Entre Jovens - vão receber cerca de 16 milhões de reais em 2009.
3. Quais os resultados?
O principal resultado é a melhora no desempenho escolar dos estudantes envolvidos nos projetos. "A intervenção trouxe resultados rápidos. Nosso tendão de Aquiles é a evasão escolar. Ela melhorou muito pouco", diz Wanda. Relatório do Banco Mundial sobre o Entre Jovens diz: "Os beneficiários do programa apresentam resultados superiores e estatisticamente significativos quando comparado aos alunos semelhantes de outras escolas. Os alunos que freqüentam mais intensamente a tutoria representaram rendimento superior àqueles que não freqüentaram e os impactos na freqüência não são lineares. São maiores em matemática do que em português."
4. Como avalia o impacto dos projetos?
Segundo Wanda, os dados têm mostrado que aposta na melhoria do desempenho da gestão está dando certo. São produzidas planilhas de dados, gráficos comparativos, relatórios periodicamente.
5. O que aprenderam desde a criação do Instituto Unibanco?
"Às vezes fica difícil convencer um grupo de professores que uma instituição privada, como o Instituto Unibanco, está interessada em investir na Educação para obter lucro social e não financeiro. Aprendemos então a ir com calma, a fazer alianças primeiro com os governadores para depois chegar na escola. Isso dá mais legitimidade ao programa, mas ainda ouvimos muito 'quanto o Unibanco vai ganhar com isso', entre diretores e professores. É uma mudança de cultura que ocorre aos poucos", diz a superintendente Wanda Engel.
6. Como transformar a ação num bem para a marca Unibanco?
O Instituto está negociando com a economista Maria Cecília Prates, da Fundação Getúlio Vargas, a elaboração de indicadores para medir o impacto das ações na marca. "Ainda não sabemos como nossas ações interferem na marca. A literatura indica que os ganhos são diversos. A ação social causa impacto nos funcionários e no público externo", diz Wanda Engel. Para ela, o funcionário sente orgulho da instituição que trabalha e, conseqüentemente, trabalha melhor e é fiel. No público externo, cria-se uma identificação entre a empresa e os clientes porque ambos defendem a mesma a causa, e o cliente passa a ser simpático à marca. "Pronto, o 'bem' está produzido", diz Wanda. Ela alerta para o cuidado de não se fazer associação da marca a uma ação que ainda não começou ou que não tem o seu impacto comprovado. "Se uma empresa diz que, sozinha, atinge 11 milhões de alunos está vendendo espuma. Ninguém consegue esse alcance sozinho."
7. Como separar as ações sociais das comerciais?
"Fazemos muita questão que o negócio nem chegue perto do social. Qualquer aproximação comercial pode ser prejudicial para a nossa ação social", diz Wanda Engel. Ela conta que o Instituto enfrentou resistência de um grupo de professores no Rio Grande do Sul. Alguns teriam feito campanha contra o Jovem de Futuro e o Entre Jovens, divulgando que as escolas estavam sendo terceirizadas. "Não nos interessa ficar para sempre na escola. Queremos influenciar políticas públicas e replicar nossos projetos", diz ela. Para isso, as ações do banco devem ficar longe das ações sociais do instituto. Ela explica que o banco pode desenvolver produtos visando professores, como linhas de crédito especiais, mas tal serviço deve atingir todos os docentes, não apenas àqueles de escolas parceiras.

 

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