Ele precisa ter competência para gerir pessoas, dinheiro, materiais, espaçoe, sobretudo, um eficiente plano pedagógico. Mas nem sempre quem se senta na cadeira de diretor chega lá depois de ser testado para a função.O diagnóstico das formas (e circunstâncias) de acesso a esse cargo no Brasil está na pesquisa Práticas de Seleção e Capacitação de Diretores Escolares, promovida pela Área de Estudos e Pesquisas Educacionais da Fundação Victor Civita (FVC) e coordenada por Heloísa Lück, diretora educacional do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado (Cedhap), em Curitiba.
Participaram do estudo, realizado entre maio e novembro de 2010 edivulgado neste mês, secretarias de Educação de 24 unidades federativas ede 11 capitais e 107 gestores, organizados em 14 grupos de discussão. De acordo com a pesquisa, o meio de acesso predominante é a eleição direta pela comunidade escolar, utilizada por 67% das secretarias estaduais e82% das municipais (veja o gráfico na página seguinte). É comum, porém,que exista mais de uma modalidade de seleção no mesmo lugar. Por exemplo, a eleição pode ser precedida de uma prova ou uma certificação,que serviriam para peneirar melhor os aspirantes à vaga. Ou pode conviver com a indicação de prefeitos, governadores e secretários, usada como recurso nos casos em que a escola não teve candidatos.
Apesar de ser considerado o método mais democrático e de ter óbvias vantagens em relação às indicações (que tendem a favorecer oalinhamento dos gestores com os secretários, mas estão sujeitas aapadrinhamentos, pressões políticas e mudanças de legislatura), a eleiçãorecebeu queixas dos diretores ouvidos nos grupos de discussão. O clima pesado durante a época de campanha foi um dos pontos mencionados. Outro problema é que nem sempre o candidato mais adequado chega lá, jáque muitas vezes quem vence é o mais carismático ou o que promove alianças com o corpo docente.
Uma terceira dificuldade é o tempo de permanência no cargo: ao ser eleita,a maior parte dos diretores cumpre um mandato de dois ou três anos, período que os especialistas consideram curto para empreender grandes transformações. "Além disso, como vão ficar pouco tempo na função, osgestores não buscam maior profissionalização", explica Marta Luz Sisson de Castro, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). A opção pelo concurso público evita esse problema, já que odiretor aprovado pode exercer a função até a aposentadoria. Porém ela gera outros inconvenientes: o gestor pode se acomodar com a proteção da estabilidade no emprego ou ser designado para atuar numa escola em quenão gostaria de trabalhar.
Ainda que as três formas apresentem pontos positivos e negativos, uma coisa é consenso entre os especialistas: somente quem está bem preparado pode fazer uma gestão eficaz. "Essa é uma função complexa quedemanda formação específica", ressalta a pesquisadora em desenvolvimento humano Elvira Souza Lima. Embora todos os estados exijam qualificações mínimas, apenas nove pedem cursos na área. Também chama a atenção afalta de capacitação para quem estreia no cargo. O grosso do investimento vai para o treinamento em serviço - que, mesmo assim, recebe queixas dosentrevistados. "Os problemas que enfrentei não foram abordados em livro nenhum", resume um dos diretores.
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