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Escrevendo o futuro

Poesia, crônica, conto... De como a Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa vai fazer as crianças do Brasil escreverem mais e melhor


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29/01/2010 16:51

Texto
Thaís Romanelli

Foto: Divulgação
Foto: olimpíadas de português

Para auxiliar os alunos na Olimpíada, professores da rede pública darão oficinas técnicas para cada categoria

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso entre alunos de escolas públicas de todo o Brasil. Realizado pelo Ministério da Educação, em parceira com a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), o evento tem como principais objetivos o estímulo a leitura e o desenvolvimento da escrita. "A olimpíada faz com que o aluno possa promover a reflexão sobre a leitura de forma critica, permite articular a teoria e a prática a partir dos temas abordados para desenvolver seu texto", diz Raymundo Ferreira, coordenador geral de Tecnologia da Educação da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC).

Para Ana Beatriz Patrício, superintendente do Itaú Social, que é criador da ideia, o domínio da língua portuguesa favorece o desenvolvimento dos jovens a partir do momento em que auxilia na compreensão e a assimilar novos conhecimentos. "A capacidade de expressão por meio da leitura e da escrita é instrumento fundamental para o exercício da cidadania e para garantir o direito de aprender a crianças, jovens e adolescentes, pois a língua influi diretamente na capacidade de absorver os conteúdos das demais disciplinas", explica.

Quem pode participar da Olimpíada de Português? Os estudantes matriculados do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental ou em um dos três anos do Médio de escolas públicas. As inscrições começam no dia 22 de fevereiro e vão até 30 de abril, porém o lançamento oficial do evento será apenas dia 2 de março, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. "Queremos despertar o interesse dos alunos pela disciplina, aumentar a qualidade de textos produzidos, evidenciar conquistas com o nome das escolas e contribuir para a reavaliação dos métodos de ensino utilizados", diz Raymundo Ferreira, coordenador geral de Tecnologia da Educação da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC).

O concurso é dividido em categorias, assim, cada idade deve produzir o texto de acordo com o gênero literário pré-estabelecido, baseados no tema O lugar onde vivo.
- Poesia: alunos dos 5º e 6º anos (4ª e 5ª série)
- Gênero memória: alunos dos 7º e 8º anos (6ª e 7ª série)
- Crônica: alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Médio
- Artigo de opinião: estudantes dos 2º e 3º anos do Ensino Médio

Para auxiliá-los, os professores da rede pública ministrarão oficinas de técnicas de textos, gêneros literários, ortografia e leitura com todos os alunos das escolas inscritas, independente de selecionados ou não para concorrer. "A formação dos professores sem dúvida é um elemento essencial para que os alunos sejam estimulados a escrever mais e melhor. Buscamos propiciar aos professores participantes qualificação para o ensino do idioma e levar os alunos ao aprimoramento na competência da escrita, por isso, a busca de estratégias diversificadas para a formação de docentes nessa área é tão importante.", diz Ana Beatriz Patrício.

O objetivo das oficinas não é apenas orientar os alunos para escrever seus textos, mas dar condições para que todos adquiram ainda mais proficiência na escrita. "Queremos beneficiar mesmo aqueles que não concorrerão na olimpíada estimulando-os a produzir e aperfeiçoar seus textos", explica Raymundo Ferreira.

A olimpíada de português propõe também o resgate do significado da escrita, que muitas vezes, no ambiente escolar, fica atrelado apenas à nota. "As pessoas escrevem com o objetivo de serem lidas, mas na escola a escrita pode se restringir ao objetivo de passar de ano. A proposta de escrever como uma produção cultural, que parte da identificação de um problema e que será publicada e lida por interlocutores, recupera esse significado mais amplo da escrita e estimula a prática no dia-a-dia pelos estudantes", completa Ana Beatriz.

A olimpíada, que teve origem no programa Escrevendo o Futuro, da Fundação Itaú Social, entre 2002 e 2006, em edições bienais, tornou-se política pública de Educação em 2008, ano em que cerca de 200 mil escolas participaram do evento. Para esta edição, a expectativa do Ministério da Educação é que 145 mil escolas e mais de 6 milhões de estudantes participem das atividades. Para isso, é necessário que as secretarias de Educação dos estados acatem o programa, primeiro passo para a participação dos alunos.

"Em 2001, o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) mostrou que o Brasil ficou em último lugar em leitura entre os países participantes. Isso motivou o presidente da instituição, Roberto Setubal, a propor a criação de um programa que pudesse contribuir para melhorar os resultados do aprendizado dos alunos, e assim nasceu o Escrevendo o Futuro", explica a superintendente da Fundação.

Após a adesão dos estados, cabe às escolas efetuar a inscrição da instituição e promover a primeira seleção interna de textos, que posteriormente abrange o município, estado, região e por fim acontece em âmbito nacional. "As olimpíadas realizadas por organizações são ótimos recursos para estimular os alunos a exercitar a escrita. Cabe à escola incentivar os estudantes a participar e criar espaço pra promover esse tipo de metodologia. Além disso, exercícios em sala de aula, o trabalho relacionado aos gêneros literários e até mesmo concursos, saraus e eventos internos podem complementar a aprendizagem da língua portuguesa", conclui Raymundo Ferreira.

Para ler, clique nos itens abaixo:
Como a escola deve se inscrever nas Olimpíadas?
Para participar da Olimpíada Escrevendo o Futuro é preciso, primeiramente, que sua escola se inscreva. Para isso, converse com os professores e os diretores para que eles preencham a ficha de inscrição, que pode ser obtida nas agências do Banco Itaú, nas sedes das Undimes estaduais ou pela internet após o lançamento oficial do evento.
O que é o gênero poesia?
Poesia, no sentido original vem da palavra grega poiesis e significa o fazer artístico ou a atividade criativa. Por meio de uma linguagem subjetiva, o autor que escreve poesia busca emocionar o leitor. Figuras de linguagem (metáfora, antítese, hipérbole, aliteração, etc.), exploração dos sentidos e sentimentos e a utilização de eu eu-lírico são algumas das maneiras de explorar este gênero.

De acordo com Ademir Caitano Alves, professor de língua portuguesa do Colégio Humboldt, em São Paulo, é preciso distinguir bem poesia e poema. "O primeiro é o estado emotivo ou lírico do poeta no momento da criação do poema; já o segundo, o poema, é a fixação material da poesia, é a marca em baixo relevo da produção escrita formal do estado lírico por meio da seleção cuidadosa das palavras, os versos, as estrofes, a musicalidade e ritmo das frases que transmitem o 'estado lírico' do poeta", explica.

Na Olimpíada, nesta categoria, serão avaliados os versos, rima e o conteúdo da poesia.
O que é gênero memória?
O gênero Memória faz parte dos chamados gêneros confessionais (memórias, diário, autobiografia). Para o Prof. Ademir Caitano Alves, são as narrativas escritas em primeira pessoa e carregam elementos da realidade, mas não estão isentas de desvios da linguagem.

Os alunos dos 7º e 8º anos desenvolverão dissertações sobre o tema baseados em experiências e memórias pessoais. Os participantes devem recuperar lembranças de vida individuais ou coletivas, com um teor reflexivo/interpretativo, utilizando o registro formal da língua.

"As memórias são a parcela da literatura autobiográfica mais reconhecida como puramente literária devido à maior liberdade na imaginação que está atrelada a elas. As inexatidões da memória transformam os fatos em recordações por meio da linguagem", explica Ademir.

Segundo o MEC, nos textos será avaliada a descrição de lugares e acontecimentos, além do emprego dos tempos verbais pretérito perfeito e imperfeito.
O que é crônica?
De acordo com o escritor Fernando Sabino, um dos principais cronistas brasileiros, "a crônica é um comentário leve e breve sobre algum fato do cotidiano. Algo para ser lido enquanto se toma o café da manhã que busque o pitoresco ou o irrisório no cotidiano de cada um".

A própria Literatura Brasileira começou com uma crônica: a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. Descritiva e circunstancial, também pode ser considerada uma crônica.

"A crônica é como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo; espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, das modas, dos enfeites, fala de tudo, baixinho, como se faz ao serão, ao braseiro, ou ainda de verão, no campo, quando o ar está triste", assim é definido o gênero por Eça de Queiroz.
O que é artigo de opinião?
Como o próprio nome já diz, artigo de opinião é um texto em que a opinião do autor sobre determinado tema fica explícita. Comum em jornais e revistas, os artigos de opinião são fundamentados em impressões pessoais do autor, que têm a intenção de convencer seus leitores e, para isso, apresentam idéias de forma argumentativa.

“Por meio de um artigo de opinião, o autor expressa seu ponto de vista sobre um tema polêmico ou uma discussão atual. Em geral, um artigo de opinião, revela uma tese, a idéia a ser defendida pelo autor. A partir dela são desenvolvidos argumentos, construídas hipóteses, fortalecidas por ilustrações e exemplos, visando persuadir o leitor do ponto de vista do escritor”, explica o professor Ademir Caitano Alves.

Escrever um artigo de opinião é uma ótima oportunidade para a formação dos estudantes. “Em casos como esse os alunos têm a oportunidade de refletir sobre temas em pauta, articular a teoria e a prática e desenvolver textos com posicionamento explicito, o que forma cidadãos críticos e esclarecidos”, diz Raymundo Machado coordenador geral de Tecnologia da Educação da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC).
Premiação da Olimpíada Escrevendo o Futuro
Após a seleção dos melhores textos, tanto os autores (alunos) quanto os respectivos professores serão premiados.

- Os 500 semifinalistas receberão medalhas de bronze e cupons para a retirada de livros durante os eventos regionais;
- Os 152 finalistas receberão medalhas de prata e um aparelho de som;
- Já os 20 vencedores finais (cinco por gênero literário) receberão medalha de ouro e um computador com impressora.
- As escolas aonde os vencedores estudam também serão premiadas: ao todo, receberão dez computadores cada, uma impressora e livros para a biblioteca.
- Os professores serão convidados pelo Ministério da Educação a escrever sobre a participação na olimpíada em 2010. Os 28 melhores textos receberão DVDs.


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