Há 20 anos, a ArcelorMittal Brasil, uma das principais siderúrgicas do mundo, criava sua própria Fundação. Seu objetivo estava bem definido: apoiar projetos culturais nas várias comunidades que abrigavam as suas unidades industriais. Mas a estrutura e organização da Fundação ArcelorMittal Brasil, como ficou conhecida, foram projetadas de tal forma que não tardou muito para ela ter seu campo de ação ampliado. Atualmente, além do setor cultural, a Fundação tem projetos também nas áreas de Educação, meio ambiente promoção social e saúde.
Responsável por favorecer o desenvolvimento de suas comunidades, a Fundação definiu suas atividades e projetos com base em pesquisas, sobretudo antes de atuar em Educação. "Em 1999, montamos dois grupos na Fundação. Um tinha como missão pesquisar sobre a qualidade dos relacionamentos das unidades com suas comunidades, enquanto outro grupo foi verificar como vinham atuando as entidades congêneres", conta Zulmira Braga, gerente de Educação da Fundação, segundo a qual só a partir de então começaram a ser montados os projetos e ações. Na fase seguinte, uma nova pesquisa foi encomendada, a fim de identificar as principais demandas da Educação. "A conclusão a que chegamos nessa época foi a de que, embora a questão da universalização do Ensino Fundamental já tivesse sido quase totalmente atendida, ainda faltava qualidade. Sendo assim, optamos por atuar com capacitação, não de professores, porque esses já estavam sendo capacitados pelas secretarias, mas sim de gestores", explicou Zulmira.
Foi assim que nasceu o PEQ (Programa de Educação de Qualidade), um projeto com vista para a formação de gestores de secretarias municipais e escolas públicas, que já capacitou 2730 educadores, dos quais 140 em nível de pós-graduação. Os consultores que ministram os cursos são contratados pela Fundação ArcelorMittal Brasil, mas existe uma forte parceria com as secretarias municipais de educação de cada cidade. Em algumas regiões, como é o caso de Molevade, Vespasiano e Carbonita, em Minas Gerais, o PEQ já se tornou, inclusive, política pública. "Isso porque as secretarias dessas localidades já assumiram o modelo de capacitação de gestores e o praticam em toda a rede de ensino", orgulha-se Zulmira Braga.
Os resultados já começaram a aparecer. João Monlevade está entre os 37 municípios do Brasil, e entre os 5 de Minas Gerais, que possuem melhor índice de desempenho no IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica do Ministério da Educação). “É um número significativo, se considerar que foram avaliados 5.564 municípios”, comenta Zulmira, que destaca outro ponto forte do PEQ, que é seu poder de expansão por meio dos profissionais capacitados. Na prática, funciona assim: a cada dois anos, gestores de sete escolas e das secretarias municipais recebem a formação oferecida pela Fundação. Depois desse período, eles próprios começam a levar o conhecimento adquirido para outras escolas, formando, assim, uma teia de capacitação.
Mas, apesar de o PEQ ser o grande projeto de Educação da Fundação ArcelorMittal Brasil, ele não é o único. O PEAS (Programa de Educação Afetivo-Sexual) já capacitou cerca de 1400 educadores, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento pessoal, social e produtivo de adolescentes, bem como diminuir os índices de gravidez não planejada, doenças sexualmente transmissíveis, uso de drogas e violência na adolescência. "O interessante na criação do PEAS foi que ele surgiu a partir de uma demanda de escolas de Vespasiano, que já tinham sido beneficiadas pelo PEQ, mas que precisavam de uma segunda ajuda com seus adolescentes. A partir daí, a Fundação foi buscar uma metodologia apropriada e um time de consultores para realizar a capacitação dos professores que, por sua vez, passariam a fazer um trabalho de conscientização com os estudantes", conta Zulmira Braga. O sucesso foi tão grande, que outros 10 municípios passaram a receber o programa e 78 mil alunos já foram beneficiados. O PEAS oferece 60 horas de capacitação aos educadores, num esquema de total imersão, seguido de monitoramento e atualizações nos próximos 2 anos. "A idéia é conseguir que eles repensem seus valores, seus conceitos e mude a prática em sala de aula", define a gerente de Educação da Fundação.
Veja mais em: Parcerias de sucesso
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